10.7.09
até breve à UFF
Hoje foi minha última aula na UFF... Já sinto o vazio. Mas o que me anima é que rapidinho ele vai ser preenchido...rs. O mestrado vem por aí com força de arraste. Bom, quero deixar aqui registrado meu agradecimento aos alunos que me acolheram de forma muito especial. Serei por muito tempo [pra sempre é meio demais...rs] grata por isto. Esses dois anos na UFF foram sem dúvida um dos momentos mais importantes da minha vida. Eis que me deparo com a Vanessa professora, que até então eu não conhecia... E como eu gostei dela!!! E como gostei de me descobrir "desrespeitando" hierarquias, disparando "revoluções", criando: desejos, afetos, idéias, atos; ou simplesmente dando uma aula sem muitas pretensões, mas sempre com presença e atenção. Agradeço ainda aos professores [que já foram meus professores] que me apoiaram e torceram por mim lá dentro. Se fui uma boa professora quem pode dizer são os alunos; eu acho que sim, mas com muito ainda a aprender, e sem dúvida eu faria tudo diferente se começasse agora... O que eu aprendi de relações humanas, e escuta e respeito às diferenças por lá está fora do gibi; fora todo o novo aprendizado sobre os bastidores de uma instituição secular como a Universidade pra somar ao que eu já havia vivido nos cinco anos de trabalho no Centro de Artes UFF e ao que venho vivendo na UFRJ. Uma coisa esse ensinamento me traz: só se respira e se cria efetivamente nas linhas de fuga, naquilo que está para além da instituição... É preciso ser grama, se multiplicar... Grata a vcs queridos alunos e amigos da ProCult que fizeram dessa experiência uma viagem maravilhosa para além de todos os problemas que vivem as Universidades e nosso mundo louco e de todo o hermetismo e politiquinha presentes na academia. Sinto que de alguma forma fiz um trabalho político no mais belo sentido da palavra. Micropolítico: política e desejo juntos. E se ainda há mais alguma coisa que eu possa guardar disso tudo é sem dúvida o fato de que, se eu tinha muita segurança em falar nas aulas, mesmo quando eu não tinha idéia do que eu estava falando, é porque me desapeguei daquilo que emperra nossos sonhos e vontades: o medo de errar, de ser julgado, de ser avaliado. E quão libertador isso é, desapegar-se do medo e rir da vida. Vem aí o grupo de estudos! Nos esbarramos...
9.7.09
alô, quem fala?
mon dieu, e a voz que não volta de vez... haja arruda e batucada no tambor! to preparando uma catarse para a já lendária estréia do efêmera ;). aguardem amigos, surpresas pela frente. a volta dos que não foram!
cais

um dia vou me lançar ao mar como coisa arremessada
e ai de quem tentar me segurar
irei carregada por uma força não mais temerosa
não incompreendida mais
nesse dia brilhará um céu muito azul,
manta que cobrirá uma revoada de pássaros migrantes
e haverá festas por toda a cidade
bebedeiras, fanfarras, fantasias
música pra todo lado...
não pode nunca faltar a música
e quando todos estiverem em comunhão
sairei de mansinho não querendo ser notada
vestindo apenas uma roupa colorida
e um chapéu de marinheiro
levando uma mala cheia de saudades futuras,
subirei ao cais e partirei
apenas o céu saberá com seus olhos luminosos
o que estará prestes a acontecer
ele será meu guia, amigo e confidente
céu dos papéis que levarei e das garrafas mensageiras
partirei assim,
como partiram naus catarinetas,
navios vikings e piratas
e toda a diversidade de criaturas
que sentem o ar rarefeito da terra
5.7.09
Exposição de minha figura
Queridos, o texto abaixo foi escrito no natal do ano passado. Relutei um bom tempo para postá-lo aqui, afinal falo de mim e nada mais, mas eis que vai. Algumas coisas mudaram desde então. É golpe em Honduras, meu contrato na UFF acabando, uma repaginada na casa, meu avô teve dois enfartos, tadinho, e até o amado Michael bateu botas... Mas, passado é presente. Divirtam-se, ou não.
Reflexões sobre qualquer coisa ou
o que sou além de reticências e uma valise?
Já faz tempo que quero escrever sobre mim e sobre qualquer coisa que passe por mim e esse talvez seja um bom momento. Algo como um descarrego, ou uma criação, porque somos personagens; nos criamos o tempo inteiro. E não sei o que fazer com isso depois. Pode ser que vá para o blog. Ou não, frase clássica do Caetano, muito útil aos geminianos. Mas agora bateu a vontade, inspirada por amigos que já fizeram o mesmo e criaram textos lindos. O que não quer dizer que eu vá fazer o mesmo. É preciso precisão. Esse texto não parece que vai ter alguma...
Hoje eu acordei diurética. Nunca fiz tanto xixi em tão pouco tempo. Deve ser o nervosismo pelo ano que se aproxima, misturado com vinho e muita água. Estou angustiada porque só vejo uma grande interrogação quando penso em 2009. É como aquela música do Drexler, a dúvida parece sempre estar ao meu lado, e isso independe de mim: hermana duda, pasarán los discos, subirán las aguas, cambiarán las crisis, pagarán los mismos y ojalá que tu sigas mordiendo mi lengua. Pero esta noche, hermana duda, dame uma tregua.
É dia 25 de dezembro, dia em que se convencionou comemorar o nascimento de Cristo, que teria vindo a Terra para salvar a humanidade há mais de 2.000 anos...
E então? Bem, gosto de Rachimaninoff, Mozart, Chopin e Beethoven e me arrepio sempre que ouço a Nona Sinfonia. Das óperas me encantam Carmina Burana e Carmem. E daí? Sei lá...
Enfim, tenho um senso de humor que poderia me render uma conta bancária com mais zeros. Faço piada até com meu sofrimento porque dizem por aí que rir é o melhor remédio [sic], mas às vezes falo coisas engraçadinhas das quais ninguém ri. Mas não deixa de ser um humor um tanto bizarro, o meu [o que chamam de humor negro], e eu não seria tão feliz como o Adnet explorando o meu humor. Bem, sou uma pessoa de múltiplos talentos. Pelo menos gosto de acreditar nisso. O problema é que sou preguiçosa. Mas sabe que eu acho que a minha preguiça é o que me salva de uma estafa!? Quero fazer de tudo. E quem quer tudo pode se frustrar ou cansar. Por isso quero me dedicar ao zen e a meditação, em busca de paz pra minha cabeça. O que é extremamente sério, porque preciso de boas noites de sono para recuperar minhas energias, e sentir, de uma vez por todas, o que é o no mind. Pois desconfio que posso morrer por excesso. Especialmente se eu não criar. É muita idéia, muita vontade, desejo, mares e mundos. Eu crio mundos o tempo todo. Preciso da arte pra viver. Já pensei em ser atriz, arquiteta, terapeuta ocupacional, personal trainer, professora de história, arqueóloga, bióloga marinha, cineasta. Mas me formei em produção cultural, faço pesquisas históricas em cultura, canto, escrevo poesia e muitas outras coisas que vão aparecer durante o texto. Se não aparecerem é porque não são tão importantes ou porque não lembrei mesmo, porque a minha memória é estranhamente seletiva e nada criteriosa.
Bem, escrever... processo de ficar nu, como diz o Pedro. Então vamos brincar um pouquinho de tirar a roupa [embora eu tenha certeza que não vou tirar quase nada...]. Quem sou eu? A velha pergunta sem graça e sem resposta. E ainda assim a gente continua perguntando. É que nem dizer que ao final dá tudo certo. Frase retórica. E a pergunta quem sou eu? A resposta é o óbvio: eu sou eu. E não adianta eu querer ser outra pessoa...
Nasci no dia 19 de junho de 1980. No ano que entra faço 29 anos mas, quer saber, já me sinto com 30. E isso é maravilhoso; claro, depois que passou a crise ao me deparar com o fato de que não sou mais uma menina. Existe uma beleza muito forte em chegar perto dos 30. Faz um tempo eu me achava estranha ao olhar no espelho. O corpo mudou muito rápido, e mal tive tempo de perceber. Os últimos 8 anos foram de muito trabalho, novidades, perrengues, viagens, criações. Um dia eu parei em frente ao espelho e, oops, lá estava uma mulher de quase 30 anos, com mais quadril que antes. Mas ainda assim com corpo magrelinho e brações. Estranhei, pensei em quando eu teria filhos, no meu futuro barco, na crise dos 40. Ok! Eu venci!!! E pensei: uau, Vanessa, parabéns. Você consegue estar melhor aos 28 que aos 20. Eu cresci, o espelho me mostrava. As contas, os problemas, as celulites, tudo me dizia: baby, você cresceu. Resolvi até deixar o cabelo crescer depois de 15 anos com o cabelo curto. E respirei fundo. Tá bem, agora vou treinar apnéia... Pra uma futura fotógrafa submarina e capitã de um veleiro é bom mesmo que eu treine sobrevivência em condições aquáticas adversas...
Astrologicamente sou torta. O que quer dizer: minha maneira de sentir é dura, de terra [lua em virgem], minha racionalidade é sentimental [mercúrio em câncer], meus relacionamentos são aéreos e cheios de lapsos [vênus em gêmeos] e minhas emoções são de fogo [ascendente em leão], com o sol em gêmeos. Aliás, eu e Pedro encontramos outro dia um dos motivos de eu gostar tanto do mar. O mar é o meu outro. Minhas emoções são de fogo, explosivas, não são densas e fluidas como as emoções de água, o elemento que mais falta no meu mapa astral. Daí possa vir o fato de eu gostar de ficar submersa. Hoje mesmo nadei 1.000 m. Pouco, mas o suficiente para me renovar. Os momentos embaixo d´água são sempre maravilhosos. É um silêncio e um azul que acalmam e parece não haver nada mais com o que se preocupar. Mas como bem poetou Arnaldo Antunes, debaixo d´água tudo era mais bonito, mais azul, mais colorido, só faltava respirar... mas tinha que respirar. De qualquer maneira está entre minhas metas do ano treinar apnéia e mergulho autônomo, porque gosto de acreditar que nasci pra ser peixe. Tem que respirar sim, mas dá pra esperar um pouquinho. Só não dá pra ser Jacques Mayol, aí já é demais pra mim; pelo menos eu acho que não. Depois que o mergulho estiver tinindo vou em busca da minha carta náutica. Decidi que eu vou ganhar dinheiro por dois motivos: o primeiro é para mudar o mundo [e não me diga que não é possível] e o segundo é para comprar um barco e conhecer o mundo todo pelo mar. Ou simplesmente conhecer todos os mares. Mergulhar nos corais da Austrália, circular o Mar Mediterrâneo em busca das origens...
Meus antepassados, por parte da família da minha mãe, vieram da Ilha Terceira, no Arquipélago de Açores. Desconfio que descendem de mouros, que ocuparam por 8 séculos a Península Ibérica. Mas essa tese da descendência moura ainda precisa de pesquisa para se confirmar. O nariz pelo menos denuncia. E a inteligência rara também [rs]. Afinal, é certo que a Europa não seria nada sem a inteligência dos árabes. E também sem nosso ouro e nossas frutas, pois em se plantando tudo dá, Caminha escreveu fascinado ao chegar nestas terras paradisíacas, de águas claras e pessoas nuas, sem pêlos e com cor de sol. Mas isso é outra página. Voltando aos antepassados, algo me diz que deve haver uma certa conexão astral ou sei lá em que plano, que me faz também amar o mar como os portugueses. Ouço muito Madredeus, às vezes exaustivamente, aquelas músicas sobre o mar, aquela melancolia típica do português. Eu, quando uso minhas roupas pretas, fico a própria portuguesa melancólica. Essa é uma das minhas personagens. Gosto dela.
Não é pra menos que meus poetas preferidos são Pessoa e Sophia [ela conheci há pouco, por causa do cd da Betânia, mas foi um encontro e tanto]. Pessoa é Pessoa. Ninguém me convence que há um poeta mais intenso e magistral que ele. Porque ele realmente sentiu como todo mundo, foi um e um milhão. Mas isso todo mundo já sabe. A questão é que, pra escrever com sinceridade, sendo Álvaro de Campos e Caeiro, só pra citar dois, é preciso ser múltiplo de verdade, e não fingir que é. É preciso estar a n-1, como dizem os amigos Deleuze e Guattari. É preciso sentir tudo de todas as maneiras. Pessoa, a pessoa, me parece que foi a sua mais fantástica poesia. O nome é uma missão, eu sempre digo inspirada pelo amigo Léo.
Qual será a missão de uma pessoa com nome de borboleta?
Voltando ao mar, eu dizia que o mar é meu outro. A água é o que me falta, sem dúvida. A idéia de estar em um deserto chega a me apavorar. Muito embora os desertos me fascinem, e seus povos de olhos verdes e pele morena, roupas coloridas, camelos, desertos de sal. Nossa, são deslumbrantes. Mas bem, já quase surtei num dia de calor em que eu fui obrigada a ficar em casa [trabalho, vida de cão...]. Fiquei tão nervosa que esqueci meu ambientalismo e fiquei debaixo do chuveiro um tempão. Isso me lembra de um dia que fiz um café muito forte, quando estava de TPM, e fiquei tão estressada que botei meu tênis de corrida e corri loucamente até não agüentar mais e poder dizer: agora sim, estou calma... cheia de dores no joelho [porque tenho uma inflamação eterna], mas calma. É, de vez em quando eu surto. Mas nada que se compare à Maria Helena da Penélope Cruz. Um dos meus grandes desejos na vida é ter um barco. Essa é uma das poucas extravagâncias consumistas que tenho. Já falei isso... Ter quer dizer morar. Viver num barco, criar mariscos no corpo. Como os piratas. Adoro os piratas! Não gosto dos marinheiros. Estes sempre lutam com as tempestades, enquanto os piratas se esbaldam. Os marinheiros são os cientistas do mar, os piratas são os poetas. Mas eu gosto da ciência. Tem muita poesia nela também. Gosto de ler Scientific America, aquelas matérias sobre física quântica, teoria das cordas, os múltiplos universos. A ufologia me interessa também e gosto de Arquivo X. Sempre fico na dúvida se valeria a pena fazer biologia marinha ainda nessa vida [sic again]. Vivo pensando nisso, porque acho que eu adoraria. Mas é uma idéia que estou quase abandonando. Prefiro investir em uma outra relação com o mar. Acho que, para o tempo que tenho, vai valer mais a pena. Assim como o céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu, o mar do mergulhador tem mais poesia que o do cientista. Desculpem-me os cientistas, eu gosto de vocês, mas é uma coisa de devir. O devir poeta.
Bem, a Sophia. Leio os seus poemas e gostaria de tê-los escrito. Eu me vejo ali. Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim, a tua beleza aumenta quando estamos sós. E tão fundo, intimamente, a tua voz segue o mais secreto bailar dos meus sonhos, que momentos há em que eu suponho, seres um milagre criado só pra mim. Isso não é lindo? Dos poetas do mar gosto ainda do Neruda. Mais dos poemas sobre o mar que qualquer outro. Os de amor são românticos demais. Aquela coisa bem latina que já me dá mais enjôo que alegria. Cansei do romantismo, embora ainda adore Don Juan. Mas Werther não desce mais. Quando eu li eu só dizia: meu querido, quer morrer morre logo, não enrola não. Mas não, fica aquela lenga lenga toda. Igual a Fausto, cheio de moralismos. Goethe é como Freud, algo a ser vencido. Afinal, a história é uma história das lutas, já dizia Foucault.
A esse cara, aliás, vale uma menção honrosa, porque ele falava das coisas mais escabrosas com um sorriso no rosto. Depois que li Foucault fiquei com a sensação de estar em sirsásana [aquela postura de cabeça pra baixo do yoga]. Comecei a ver tudo de forma diferente e, de repente, várias questões para as quais eu não conseguia encontrar resposta se clarificaram. E comecei a me sentir uma idiota, que se dizia alternativa, quando o alternativo é uma captura, meu bem. Mas viver na captura é uma questão de escolha. Espero ter escolhido o não. Ou pelo menos o pode ser diferente. Prefiro as linhas de fuga. E me divirto lendo Deleuze e Guattari, ao invés de fazer como os intelectuais de óculos [eu também uso óculos, nada contra os óculos em si] que querem transformar Mil Platôs em um novo paradigma. Bah! Cherry, o mundo gira e é uma grande superfície de contato. Usemos os livros ao invés de engessá-los em teses!
Mas eu me divirto lendo até Dan Brown, sou uma pessoa sem critérios [rs]. Enquanto os acadêmicos de plantão ficam tentando decifrar Guimarães Rosa, eu busco sentir o Guimarães, o Código da Vinci, o Mil Platôs, a Clarice, o Kafka, o Saramago [que está quase ganhando o posto de meu escritor preferido], Alice, HQs, guia de viagem, tudo com a mesma intensidade. São mundos, gosto de fazer parte deles. Gosto de histórias de vampiros, adoro o Lestat e acho o Louis um babaca. Já li tanto Edgar Alan Poe que tive que parar porque meu mundo estava ficando sombrio demais. Existe uma Vanessa meio família Adams que é insuportável. Sou fã de Tim Burton. Tenho a coleção dos seus filmes, e o que mais gosto é um que não tenho, que vi pelo youtube: Vincent, um curta sobre um menininho mórbido e psicopata, narrado por Vincent Price, mestre do terror, aquele cara que faz o criador do Edward e narra o clipe Thriller do Michael Jackson. Tenho fascínio por palhaços, relógios, castelos, grutas com água, inscrições rupestres, cheiros, livros antigos, civilizações, América Latina, artesanato. Meu filme preferido do Fellini é 8 e ½. Obra prima! E se eu fosse fazer uma lista de filmes que eu gosto aqui seria uma loucura. Mas posso tentar. Gosto dessa brincadeira, eles também dizem um pouco de mim: 2001 [já assisti 2001 vezes e não entendi nada... adoro isso!!!], Blade Runner, Apocalipse Now, Matrix, Senhor dos Anéis, Cinema Paradiso, A Paixão de Cristo e Apocalypto [pq são falados em aramaico e maia], A Vila [já vi tudo do Shyamalan], Sangue Negro [Daniel Day Lewis liberta a alma], O Libertino [claro! quem é fã de coisas mórbidas é fã de Johnny Depp], V de Vingança, Casa de Areia [belíssimo e desconsiderado nas listas de grandes filmes nacionais], Lavoura Arcaia [a obra magistral do Luiz Fernando; e também o livro que é lindo e trágico]: acho o André um tolo, a Ana pura alegria, e o pai pode ser o que for, mas com a voz profunda do Raul Cortez é sublime; Imensidão Azul; A primeira noite de um homen; simplesmente tudo do Woody Allen; O Jardineiro Fiel; vários do Bressane e do Sganzerla, porque diverte horrores; Alien; Amadeus; O Gladiador; As bicicletas de Beleville; Hair [um dos primeiros filmes pelo qual me apaixonei]; O Paciente Inglês; Brokeback Mountain, A Viagem de Chihiro... ai chega, tem um milhão deles. Tem ainda irmãos Coen, 007, Ensaio sobre a cegueira [o Meirelles pôs o livro na tela, até o Saramago gostou e um monte de gente não entendeu, porque é cega...]. Já fiz teatro, o personagem que mais me encantou interpretar foi o Pequeno Monge, de Galileu Galilei, de Brecht. Mas conto nos dedos as peças que gostei de assistir. O cinema me emociona mais. Adoro Becket!
Gosto muito de Nietzsche. Foi quem me lançou de vez no mundo da subversão... fizemos um acordo em 2004 e desde então é só alegria! Assim falou Zaratustra é um livrão, nos dois sentidos. Um dia pretendo fazer programação de software e também ler Os Sertões, não que uma coisa tenha a ver com a outra. Assisti a adaptação do Zé Celso para o teatro, em São Paulo, e fui super interativa com a peça. Mas cansa que é uma beleza... Quero ler Euclides e aí me embrenhar naquela caatinga.
Meus personagens pop preferidos são Smith [o vírus da Matrix]; Han Solo e Indiana Jones [os momentos gloriosos de Harrison Ford... mas há quem duvide]; Darth Vader; James Bond; Saga, Shaka, Shiryu e Kikki [sim!!! eu sou fã de Cavaleiros do Zodíaco]; Galadriel [que eu aprendi a gostar depois de um tempo reticente], Gandalf, os Ents e todos os hobbits; Chico Bento e Horácio; Wolwerine, Tempestade, Fênix e Magneto; Batman; Barack Obama...ahahahhahahahaha.
Das histórias que circulam por aí gosto especialmente de Alice Através do Espelho, que é só genial; O conde de Monte Cristo; Coiote [o livro do Roberto Freire que ultrapassa a própria somaterapia e que sacode a cabeça quando se lê com 15 anos]; Os vivos e os mortos [um livro do W. Rio Apa, do Paraná, simplesmente um dos melhores livros que já li, a mais bela narrativa sobre os homens e o mar; 4 volumes que dá vontade de ler pra sempre]. Quando eu era criança tinha medo do Papai Noel e acho esse gordo horroroso, mas acreditava no Peter Pan e queria muito ser levada pra Terra do Nunca [de verdade, não é metáfora]. Até hoje adoro o crocodilo com o relógio. Nossa, eu morria de medo da Cuca, do Sítio. Hoje eu adoro as bruxas e odeio as histórias que as transformam em madrastas cruéis; e depois de descobrir coisas bizarras na histórias do Monteiro Lobato a gente passa a odiá-lo. Lembro de morar em uma casa que ficava perto de um sítio onde havia um galo que sempre cantava de madrugada e eu cismava que o galo estava no meu quarto. Eita imaginação fértil... Eu também desenhava muito, até hoje gosto, e fiz vestibular pra cinema para fazer animação. Mas não passei e desisti... Eu chamava uva de cavu.
Tenho poucos preconceitos literários. Só não gosto de perder tempo. Mas isso é o tipo de coisa que a gente só descobre depois que perde... Ainda não li Paulo Coelho. Digo ainda porque pretendo ler um dia. Se tem uma coisa que ele sabe fazer é chegar nas pessoas, além de dinheiro, claro. Mas no momento tenho que me concentrar em certas leituras digamos, mais acadêmicas [será?]. Estou lendo Clastres [A Sociedade contra o Estado] e vou mergulhar mais ainda em Foucault. Escrevo. De tudo. Mas preciso vencer a preguiça e conciliar a vontade de escrever com a vontade de estar na praia. Estou começando um romance, um outro livro de poemas, artigos sobre um monte de coisas e um livro-ensaio sobre cultura e política. Quando eu vou terminar é uma incógnita. Ainda tem o projeto do mestrado. Pelo menos esse tem prazo.
Bem, falemos de música. O que posso dizer? Que eu canto, estudo técnica vocal e canto lírico com a professora mais fantástica do mundo, uma cantora pra chamar de sua! Fazedora de milagres, porque ela acredita que todo mundo tem dentro de si a paudurecência!!!! E viva Sidney Magal! Agora sou aluna de piano. Eu e Pedro temos um projeto artístico experimental [só porque não acho uma palavra melhor para classificá-lo] que junta música e poesia, e queremos nada mais que tudo com isso... Adoro descobrir instrumentos e ouvir sons diferentes.
Gosto de metal sinfônico e alguns mais pesados, reggae [só da Jamaica e, de preferência, Bob Marley, que muito cedo me ensinou a lutar], Radiohead, Uakti, Pink Floyd, batuques e flautas do mundo inteiro, cítara, olodum, bateria de escola de samba, Beatles e Rolling Stones, Pearl Jam e Soundgarden, Hans Zimmer e Vangelis, Simon e Garfunkel, das vozes da Teresa Salgueiro, da Tarja Turunen, do Ney Matogrosso, do Freddie Mercury, do André Matos e da Bjork [além do clima todo que ela cria]. Já ouvi muito Nirvana. Faz pouco tempo fiquei embasbacada com um cabeludo de mãos grandes chamado Steve Vai, porque For the love of God é uma das músicas mais bonitas do mundo e porque o cara é visceral!
Cansei de ouvir Cazuza, mais um burguês filho da bossa velha. Mas o cara foi genial assim mesmo e outros devires mais interessantes o atravessavam. Cansei também do Lobão, embora ele seja um doce. Não canso nunca do Caetano e sempre adoro as merdas que ele fala. Acho o Gil um tesão aos 60 anos com colares tribais. Não gosto do Chico cantando nem das suas músicas com nome de mulher. Gosto do Chico de Deus lhe pague. A Elis era um grito de liberdade. Amo o vozeirão da Betânia, que canta como uma divindade, mulherão. Gosto de Los Hermanos, mas também cansa. Hoje eu só escuto algumas músicas do 4. Na história da música brasileira acho que o Clube da Esquina não tem o reconhecimento que merece. Os críticos e os jornalistas piegas insistem em só falar da Bossa Velha. Chega meu povo! Todo mundo já conhece, um monte de gente já ganhou dindin, já sabemos que João Gilberto foi o cara do violão, que Tom e Vinícius fizeram o mundo cantar. Mas a garota de Ipanema não tem mais o mesmo corpitcho... Milton e sua trupe são sem dúvida a grande linha de fuga na música nacional. Longe de rótulos, eles comeram quietos, mineiros que são, e fizeram uma revolução. E disso ninguém fala, e vão assim fazendo do Brasil um samba de uma nota só, quando somos pura dissonância. Cresci ouvindo samba enredo, e mais tarde conheci um poeta chamado Cartola e um trovador com o nome de Paulinho da Viola. No carnaval torço para a Portela por puro afeto sem explicação, desde criança. Gosto de festa, odeio multidão.
Ultimamente estou em uma neura flamenca, depois que voltei da Espanha. Olé! Coisa boa de ouvir, transforma a dor em poesia com a música e o corpo. Arrepia até os ossos.
Sinto que gosto de revoluções, tenho falado nisso o tempo todo. E vou caminhando em direção a novos sentidos para as coisas [não pasteurizados], e até para a empresa, esse novo capitalismo... Junto com Lanuzza e Pedro construo algo que começa a descortinar um futuro para se orgulhar, porque não queremos ser só mais uma empresa de produção cultural ou, ser só mais uma Empresa. Mas paro essa história por aqui porque o bolo tá no forno. É possível reconfigurar a empresa? É difícil achar um forte motivo para não acreditar que é possível. Abel [essa persona executiva, um ser moldado para ser perfeito], é muito útil. Conservemos a memória de nossos Abéis porque precisamos dela para a luta, para nos mostrar onde ficam as engrenagens, para nos dizer que a merda tá aí. E se a gente junta áquario, leão e gêmeos a gente muda a forma de governar. E faz uma tragédia nietzschiana!!!
A revolução do século XXI não virá vestida com a camisa do Che... Marx entendeu uma realidade, e nada mais que isso. Existem muitas outras. Existem muitas formas de ver o mundo. Existem sociedades sem Estado. Sobretudo, existem os nômades!!!
Sou um pouco anarquista, mas não me simpatizo muito com os ismos. Prefiro ser uma contra-efetuação permanente [gostei disso, é coisa da Heliana para o Pedro!]. Como aquela música do Caetano, o quereres... Sou chata, assumo. Gosto da idéia da livre circulação de bens culturais, gosto de Internet, sou online, tenho orkut, mas meu msn fica às moscas, porque quase não entro; me tira tempo de pesquisa, de concentração, de criação. Se quero falar com alguém prefiro ligar. Mas não gosto muito de falar no telefone. Estranho né?! E olha que trabalhando com produção se faz muito isso... Já ralei muito com esse trabalho aliás, e uma das minhas grandes experiências de vida foi um trabalho de produção, quando coordenei por quatro edições um projeto chamado Interculturalidades, que me pôs em contato com o mundo “sem sair de casa”. E foi um grande aprendizado que deixou marcas para a vida toda. Assim como o Centro de Artes UFF, que por 5 anos foi minha segunda casa. Onde fiz grandes amigos, participei das melhores festas e vivi emoções fortíssimas, das melhores e piores, uma vida nada monótona, pode acreditar. Onde se descascava alho na cozinha da Sheila, se carregava linóleo sozinha e, no mesmo dia, se fazia contato com o Bernardo Bertolucci, o Leonardo Boff, o Ariano Suassuna e o Humberto Maturana.
Acredito que nossa sociedade não sabe lidar verdadeiramente com as diferenças e por isso cria nichos, tribos e guetos. Eu não me sinto pertencente a nenhuma tribo. Me classifico como determinadas coisas por razões práticas, e a idéia de pertencer a uma classe [seja ela qual for] me enerva e é uma prisão subjetiva, daquelas que alimentam sistemas de castas na direita, na esquerda, no centro, onde for. Já me bastam as minhas prisões e autocensuras das quais, em uma luta constante, tento me libertar. Às vezes me sinto bem com certas tribos, outras vezes com outras. Com todas e com nenhuma. Prefiro deixar que as coisas me atravessem e não que me capturem. Tento aprender a dizer não e sim com sinceridade a todo instante. Embora certas coisas existam, não as aceito. O que quer dizer, ignorar suas existências como algo que faça algum sentido. Como as hierarquias. Tudo bem, elas existem, estão lá. Mas não me dizem nada além de que foram construídas historicamente e, por isso, podem ser desconstruídas a qualquer momento a partir de uma luta [no sentido foucaultiano]. O mundo não está dado! Diriam alguns que nem comido...rs.
Acho que a minha vida se dá a n-1, mesmo quando tento fugir do desespero que é não viver a unidade, mas sempre ela subtraída do múltiplo, para que ele seja cada vez mais múltiplo. E cansa, dói, mas é maravilhoso também. E não pode ser nada mais. Porque não é uma escolha minha. A única escolha possível, arrisco dizer, seria negativa [e eu demorei pra entender isso, e depois pra aceitar]: negar aquilo que não é possível escolher. Mas isso é negar a vida. E as consequências, muitas vezes, são desastrosas. Mas algo ainda me incomoda nessa afirmação, porque talvez o não conseguir negar seja precisar, necessitar, ser dependente. Nem sempre sou entendida, e tentam sempre me esquadrinhar. Mas isso todo mundo faz com todo mundo. Algumas pessoas se apegam a isso e constróem suas vidas nessas categorias já prontas e nas referências já pré-estabelecidas.
Não gosto de culpa, essa herança do cristianismo. Quando me pedem desculpas, peço que se entendam. Aceitem-se! Amem a vida! Sejamos sinceros consigo e com o outro. E isso não é trivial. Não é da sinceridade da novela da Globo que eu falo. Amor fati... Se a vida te der porrada, grite e faça um carnaval. É duro, pois tem algumas que doem muito. Porém, se não se morre, mais cedo ou mais tarde se faz um carnaval. Eu espero...
A geração Coca-Cola morre entupida de corante e cheia de gases, viciada em cafeína. Mas eu adoro café e odeio a Coca-Cola. Não bebo refrigerante, não como bicho, não como biscoito com gordura hidrogenada, não deixo que enfiem na minha goela abaixo essas porcarias. Acho que a maioria dos vegetarianos é ingênua politicamente, assim como a maioria das pessoas é cega politicamente, principalmente os que associam política à partidos. A indústria da carne é tão nojenta quanto a farmacêutica, e todo mundo finge que não, pra nenhuma das duas, ou não finge e simplesmente nem pensa nisso. Ou realmente tá cagando... Odeio cigarro, é um vício ridículo politicamente. Quimicamente não. Por isso não odeio quem fuma. Ao conhecer a Europa senti o ar da soberania e vi que os europeus se sentem ainda colonizadores. Eu não sei se moraria em Paris, Roma, Madrid ou Barcelona, acho que em Londres também não. Idolatrar a Europa é sinal de fraqueza espiritual. Mas tem coisas maravilhosas por lá... Cansei da maioria das bandas inglesas. São todas iguais. Gosto do clip do Weezer com os bichinhos. Amo a comida mediterrânea, estou ficando expert em vinhos. Eu teria uma vinícula para produzir Montepulciano ou Malbec, ou plantaria oliveiras. Não consigo mais beber muita cerveja. Gosto de absinto porque tem efeitos criativos. Cachaça é legal pra sentir o sabor do Brasil, e feijão também. Acho que o cheiro do verão é o que mais me dá a sensação de estar em casa. Cheiro do Brasil que eu vivo. As flores, a chuva. O olfato é sem dúvida meu sentido mais aguçado. Incensos fazem efeito comigo. Perfumes também. Gosto de pouquíssimos. Não gosto dos cheiros doces sintéticos, channel nº 5 é horrível. Gosto só de um perfume, na verdade. Costumo preferir cheiros naturais a industriais. Não gosto de variar perfume. Fica uma confusão de cheiro, algo assim meio fedido quando se mistura na roupa um monte de cheiro forte. É como cozinhar. Tem que ter feeling olfativo. Seja lá o que for isso.
Adoro cozinhar, principalmente para outras pessoas. Adoro ervas, temperos, alquimia, chás. Gosto do Ben Jor e sei, tanto quanto ele, que os alquimistas estão chegando. Gosto de inventar pratos, ler livros de culinária, e adoro manjericão. Escrevi um conto de liberdade e amor que se chama Gosto de Manjericão, antes mesmo de saber que esta é uma erva com propriedades que instigam os amantes, usada pelos bruxos há muitos séculos.
Uma das minhas personagens preferidas é a professora universitária. Essa eu cultivo com carinho. E adoro! Os meus alunos são tão queridos que gosto até dos mais relapsos. Adoro encontrá-los, trocar idéias, me divirto com as questões que levam para as aulas e com as apresentações de trabalho. Adoro responder os emails enormes que me mandam. Ganhei amigos, mesmo que temporários [como a maioria], converso com eles sobre a vida. Não dou prova porque isso não prova nada. Não gosto de dar nota.
Prefiro o amor à paixão, ou os dois em concordância. Não sei o que é paixão na verdade, pra poder afirmar isso. Ou sei, mas tenho ressentimentos... Já de amor eu sinto que começo a esboçar um entendimento. Porque todo mundo acha que entende dos dois, mas ninguém entende nada e fica falando um monte de besteiras. Somos tolos, fracos e dependentes [frase tosca que eu escrevi em um poema igualmente tosco]. Criamos expectativas, exigimos o braço quando ganhamos a mão, acreditamos que existe certeza e segurança. Só conheço uma pessoa que realmente vive para não ser assim, e por isso a amo. Se começamos a superar nossas fraquezas a vida vai nos presenteando. Medo faz parte do vocabulário de qualquer um, coragem é uma decisão.
Hoje me vejo mais no palco que no computador. Mas eu adoro estar no computador para escrever, e não tenho idéia de quando vou cansar disso aqui e finalizar esse vômito.
No meu trabalho considero que o item mais importante não é um laptop ou um celular, mas a garrafa de água que fica do meu lado. Celular é o instrumento por excelência da sociedade do controle. Já os computadores podem ser nossas bombas de amor e instrumentos de luta. Seja pra jogar na cabeça de alguém, para invadir os sites dos bancos ou para estimular nossas criações. Mas há muita política entre o meu computador, a computação em nuvem e a África...
Se eu pensar no mundo hoje, o que mais me preocupa é a água. Morro quando vejo que parte dos oceanos já é um lixão. E sei que preciso fazer alguma coisa nesse sentido, porque isso me inquieta muito. Li Uma história verde do mundo e nunca mais fui a mesma. Amo as florestas porque sinto as florestas. O vento, o mar, os rios, os bichos; adoro as tempestades, os tufões, a natureza gritando. Só não gosto das consequências bizarras que trazem; mas elas nos dizem que não somos soberanos. Sinto tudo com tanta intensidade que às vezes choro de alegria ou de dor quando penso nessas coisas. Tenho vontade de abraçar o mundo. Queria ser um gigante no espaço e abraçar a Terra, tão linda e azul. Sou ativista da reciclagem, inclusive da reciclagem da cabeça. Tenho plantas em casa e cuido delas com alegria. Gosto de ficar na rede e beber água de côco. Cultivo ervas para os meus temperos. Minha Shangri-lá é a Papua Nova Guiné. Fico fascinada pela quantidade de línguas que são faladas lá e pela enorme biodiversidade. Há espécies na Papua que são desconhecidas até hoje pelos cientistas, e é um dos pontos de mergulho mais incríveis do mundo. Há tribos canibais, há rituais onde as pessoas usam máscaras de argila pesadas e bizarras, mas fantásticas. Já a Amazônia é um destino certo. Adoraria passar alguns bons dias no meio dessa floresta só ouvindo os seus sons e sentindo os seus cheiros, esquecendo toda a apropriação política desse lugar tão amoral e, por isso, tão belo. Mas sei que a floresta não é assim tão romântica. Ah, a indiferença da natureza... Tenho uma revista com uma foto de uma cachoeira no meio da mata densa que chega a me deixar sem ar. Tem aquele silêncio ancestral. Como dentro das cavernas, como no alto das montanhas. Aliás, a ancestralidade me deixa sem ar. Estar em lugares antigos, que estavam aqui muito antes de mim, é algo que gosto muito. Gosto ainda de sentir o encantamento com a vida e as forças arrebatadoras. Senti isso nas igrejas medievais da Europa, na Gruta Azul da Chapada Diamantina, na Cúpula de Bruneleschi em Florença, no alto da Janela do Céu, em Ibitipoca, ao ver o sol nascer na Pedra do Sino, na praia Brava e na Ilha do Farol, no som do vento noturno de Taipus de Fora, na biblioteca histórica da Universidad de Valladolid. Adoro Da Vinci, Pollock, El Greco, Caravaggio, Miró, mangá, grafitti e stencil. Tornei-me fã de Michelângelo depois que estive na Capela Sistina e quando vi o David. As cidades ficam mais habitáveis com a arte. Odeio trânsito, mas procuro não me estressar com isso, sem perder de vista que esse é sempre um problema a ser enfrentado de alguma forma. Sempre carrego livro e mp3. Não tenho carro e não pretendo ter nem cair em tentação...rs. Já chega a quantidade deles na rua. Existem muitos taxistas simpáticos prontos para nos levar aonde for, e ônibus horríveis, mas estão aí para serem usados e reclamados. O único carro que eu teria seria uma Land Rover para viajar a lugares ermos, e não para entupir o trânsito.
Não tenho paciência para a pós-modernidade e o estado líquido é muito cansativo. Não é possível vivê-lo todo o tempo. A MTV é um pé no saco na maior parte do dia com toda aquela gente se achando cult. Gosto de usar óculos escuros enormes, pulseirões, cintos grandes, roupa de crochê, bolsas coloridas, sandálias e botas, sapato vermelho de salto agulha, vestidos e calças largas, cachecol, misturando tudo, às vezes parecendo cult [rs] mas, quase sempre, uma farofa... ou então me visto de preto e está tudo bem. Quase nunca pinto a unha, mas quando pinto é sempre de vermelho ou vinho porque, pra mim, não vale a pena ter o trabalho de pintar com esmalte claro, pois eu mesma faço a minha unha. Salto vai quando estou com espírito femme fatale. Senão não há humor que agüente. Mas fica bonito. Gosto mesmo é de passar o dia de biquíni e pés na areia. Não compro pijama, compro meias coloridas e de dedinhos e a cada roupa que compro separo uma que não uso para doar. Gosto de cuidar da casa, de mudar os móveis de lugar, de mexer nos livros da estante, trocar as fotos do mural. Só não gosto das contas. Adoro fotografia. Depois do piano, uma câmera fotográfica poderosa será o próximo gasto doloroso. Não leio jornal. Por mim eles nem precisariam existir. De alguma maneira as notícias chegam. O Willian Bonner é irritante com a sua pretensão de verdade. Sebastião Salgado faz coisas fantásticas, mas não é o único. Pierre Verger é atemporal.
Gosto de estudar história e faço isso sempre que possível, especialmente história de civilizações e religiões. Em outra vida virei ao mundo fotógrafa da National Geographic e passerei quatro horas sendo picada por mosquitos, apenas esperando pelo momento do gorila comer a plantinha para fotografá-lo. Sou doida por gorilas. Queria abraçar um. Adoro golfinhos, tartarugas, labradores, maritacas. Gosto de insetos coloridos, camaleões e lagartos, peixes-palhaço.
Acho que a maioria das pessoas não entendem os grandes líderes espirituais da história e os reduzem. Cristo, Buda, Gandhi, Luther King foram grandes, ou suas narrativas são grandes, mas sempre tem alguém para enfiá-los em uma gaiola e criar um ismo para eles. Sou uma curiosa. Já li várias coisas sobre a Rosa Cruz. Tenho um tarô egípcio, estudo, quando dá, o I Ching, a Wicca, o xamanismo. Dos livros místicos ou míticos ou que quer que seja, gosto do Tao Te Ching e dos evangelhos gnósticos [com todas as especulações sobre Maria Madalena]. É claro que li o Baghavad Gita, e passei um reveillón em uma comunidade Hare Krishna. Criei muita expectativa e descobri coisas grandes e outras pequenas também. Gaiolas...
Já pensei em surfar, o que seria o máximo. Mas prefiro estar dentro da água ou no meio do oceano. Mas agora parece que vou começar a aprender bodyboard... [essa última frase é um adendo acrescentado no dia 1 de janeiro de 2009]. Minha relação com o mar é de tanto amor que eu não rompi os laços depois da primeira correnteza bizarra que entrei, ou quando fui jogada nas pedras em Aventureiro. Guardo minhas cicatrizes com alegria. Quem não as tem não sabe o que é viver. Frase muito clichê, mas que eu gosto. E adoro cicatrizes! Tenho medo de andar em pedras íngremes, algo que estou superando rapidamente.
Sou praticante de yoga. Já fiz Hatha e hoje faço Ashtanga. Mas são yogas védicos. Depois de sete anos queria conhecer algo diferente, adoraria experimentar a Swásthya se eu tivesse dinheiro pra pagar. Acho muito caro e ainda não encontrei uma justificativa pra isso. Mas vou ler o livro do De Rose. E também, Autobiografia de um Yogue. Penso um dia em tatuar Shiva Nataraja nas costas, entre o om e a flor de lótus que já tenho. Adoro tatuagem, tenho quatro. Organizei no computador um álbum de fotos com várias que encontrei e gostei. É um recurso estético como pintar o cabelo, usar brincos, roupas ou o que seja. E uma maneira de viver a arte no próprio corpo. Vou fazer a quinta quando começar a esfriar, porque no verão é impossível. Planejo os desenhos e as partes do corpo que vão recêbe-los, pois eles se tornam parte de você. Hoje parece que já nasci com os meus desenhos, talhados na minha pele por um tatuador também para chamar de seu.
Sou a filha mais velha de três mulheres. Mas não sou chata por causa disso, nem dou lição de moral, embora às vezes eu faça discursos éticos [rs]. Quando estou muito agitada falo dormindo e minha irmã mais nova tem medo disso. Sou um pouco desastrada, bato a cabeça toda hora, nos lugares mais improváveis, e tem dias que invento palavras. Sempre me acharam esquisita na família e eu sempre achei que todos é que eram estranhos. E não tenho mais paciência pra essa discussão ridícula de quem é mais esquisito. Meus pais me apóiam mesmo quando não me apóiam, são doces e queridos. Minhas irmãs são lindas, tenho um primo DJ, uma vó baixinha, um vô cheio de energia com quase 90 anos. E primos, tios, tias, como todo mundo, ou não. Parte da família mora em Minas, parte em Petrópolis. Nasci na serra, na terra da família real, ia de gorrinho e luva para a escola, sempre tive franjinha quando era criança, morei em sete cidades e estudei em nove colégios. Gostava de brincar de escolinha e inventava fórmulas matemáticas para minha irmã decorar, coitada. Brincava ainda de ônibus, construção de castelos medievais [com aquele jogo de pecinhas de tijolinhos], show [rs] e de ir para o Pólo Norte. Já enterrei minha Barbie. Fiz grandes amigos em Belo Horizonte, porque mineiro se agrega de uma maneira muito doida, e vivi três anos intensos por lá, cheio de descobertas que deixaram marcas. No Rio a minha vida mudou radicalmente, conheci um menino que tocava violão e escrevia poesia...
Gosto de passar o tempo falando besteiras, inventando personagens, criando mundos e músicas ridículas. Junto com a Mari Pietrobon [companheira de maravilhosos delírios exóticos] criei até uma Igreja. Com o Pedro é fertilidade o tempo inteiro, criação de músicas, jogos, bandas, textos, personagens hilários, tudo e mais um pouco. Viajava nas idéias com o Bruno Nunes e a gente falava de slow food e da teia da vida. Com a Juju é uma viagem conviver porque ela é uma figura engraçada, que faz sinal para o ônibus com todos os dedos. Com o Léo é muita viagem ontológica. Com a Bina é muita viagem surreal. Com a Mari Petersen é viagem cósmica, espiritual. Com a Cris é mais pé no chão, viagem por terra. E a Renatinha só viajou e se encontrou, e a gente deu a maior força. Com a Carol Ramos eu quase não encontro, mas quando a gente se encontra é muita viagem sobre a vida. Eu também adoro viajar! Viajo muito com o Pedro, é o melhor companheiro pra isso. Já conhecemos lugares lindíssimos e os planos são muitos ainda, de trem, de ônibus, de carro, de barco, de lápis e papel na mão, com um violão. Já viajei muito com a Lanuzza também, e a gente sempre se mete em furadas que depois dão muitas gargalhadas, por Brasília, Curitiba, BH, Europa... muita história pra contar. É uma viagem insólita a vida. Espero os amigos que virão para mais viagens... Viajo todo dia. Às vezes com alunos, com a família, com o cachorro, com a planta e com as pessoas que sempre conversam comigo no ônibus, na barca, no hospital, na rua, na chuva, na fazenda...
A desobediência civil se torna mais interessante quando é uma desobediência moral.
Adoro artistas porque, teoricamente, carregam uma visão de mundo muito singular. Mas é difícil conviver com eles, essas pessoas muito singulares. É preciso muito amor. Gosto de músicos e bailarinos, mas é impossível encontrar os dois talentos em um homem só [rs]. As mulheres que mais admiro são as mais fortes. Já gostei da Madonna quando ela ainda fazia sentido, e quando me dei conta de que ela não é mais que uma eterna adolescente tola, cansei, e a acho uma chata de galocha hoje em dia. Porque polêmica não é dedicar like a virgem para o papa, e sim, o mundo saber que a maioria da população africana está morrendo com a Aids e continuar matando aquelas pessoas. Isso é que é polêmica. Mas ainda assim danço suas músicas em festas. São divertidas. Como as do Michael Jackson em tempos de negritude! Muito bom! Acho o casal Angelina Jolie e Brad Pitt lindíssimo mesmo quando estão feios e enrrugados. Já cansei também do Bono Vox e seu humanitarismo pop. O Sting é como vinho, quanto mais velho melhor. A minha lista de homens belos é tão comum quanto esquisita, onde figuram internacionais como Johnny Depp, David Beckham, Takeshi Kaneshiro [um chinês figurinha], Daniel Day Lewis, David Bowie [não falei!?], Adrian Brody [alguém acha tb ou só eu?], um monte de brasileiros, porque são os mais bonitos, a seleção italiana, o Zidane, porque tem porte, e um ilustre desconhecido chamado Ivan Alcalá; e chega porque a lista vai longe. Já as mulheres só vou citar uma porque é deusa: Monica Bellucci. Mas tem várias outras bonitas também, inclusive eu ;). Frase pra refletir: "pessoas bonitas contam com certa imunidade que quase as dispensa de terem uma moral" [Thomas Mann].
Gosto de crianças e as trato como seres inteligentes e de muita sensibilidade, sem falar com elas como uma idiota ou fazer piadinha ridícula. Conservo a minha criança em movimento [?]. Adoro brincar de adedanha, jogar war, perfil, scotland yard, sueca, jogos de luta, need for speed e sim city. O mundo dos RPGs me atrai há algum tempo, desde que o Pedro me apresentou, embora eu nunca tenha jogado. Só aqueles livrinhos-jogos. Mas para tudo há uma primeira vez. Só não gosto de esportes competitivos. Pratico apenas esportes solitários. Mas isso é um problema meu. Ou não é problema nenhum. Mas gosto de futebol. Sou ótima torcedora, palpiteira e comentarista. Adoro Copa do Mundo. Marco os resultados dos jogos na tabelinha. Sou tricolor e Real Madrid [desde que me decepcionei com o Barcelona].
Sinto que só há duas maneiras interessantes de viver: levar uma vida simples ou uma vida de realizações grandiosas. Na primeira opção eu viveria da terra e colocaria toda a minha vida ao arar esta terra. Na segunda eu quereria mudar o mundo. Não sei se é possível escolher. Mas caminho mais no segundo sentido. O que não dá é viver no meio termo. Pelo menos não para mim. O Pedro diz que tenho uma força que ainda desconheço, que sou sábia e hipnotizo as pessoas. Eu vejo isso em algumas situações hoje em dia. Mas existe uma Vanessa pequena, medíocre, odiável. Porém, o meu leão parece estar gritando. E quero que o mundo escute a sua voz. Não planejo isso, simplesmente acontece. Não me gabo de nada. Sou apenas mais uma pessoa, com dores e alegrias. Mas acho que não sou medrosa [embora tenha medos], e isso muita gente é. Porque há muito de mim ainda por vir. Há vidas ainda a serem talhadas em uma só vida. Há um grito muito alto querendo ecoar. E há muito amor, apesar de às vezes não parecer. E há uma vida que eu amo muito, e pessoas que amo, um mundo que amo, e uma pessoa especialmente bela com quem construir coisas belas!
E 2009 é o ano do show do Radiohead no Brasil!!!
Eu não faço tipo, eu sou isso aí mesmo, mas isso é só 0,0000001%, porque nem eu sei muita coisa, e nenhum psicólogo saberia porque eles não sabem de nada. Ninguém sabe. Todo mundo pensa que é um doutor, padre ou policial que está contribuindo com a sua parte para o nosso belo quadro social. Né Raul!? E chega dessa narrativa estúpida. Todas as cartas de amor são ridículas, especialmente as de amor próprio. Pode ser que amanhã eu escreva uma narrativa completamente diferente, e que eu mude de idéia sobre o que aqui escrevi. Acho que ficou sim um texto para o blog. Não tem nada demais. Só um monte de divagações sem graça com um teor político-crítico-artístico com o qual ninguém tem nada a ver...
Reflexões sobre qualquer coisa ou
o que sou além de reticências e uma valise?
Já faz tempo que quero escrever sobre mim e sobre qualquer coisa que passe por mim e esse talvez seja um bom momento. Algo como um descarrego, ou uma criação, porque somos personagens; nos criamos o tempo inteiro. E não sei o que fazer com isso depois. Pode ser que vá para o blog. Ou não, frase clássica do Caetano, muito útil aos geminianos. Mas agora bateu a vontade, inspirada por amigos que já fizeram o mesmo e criaram textos lindos. O que não quer dizer que eu vá fazer o mesmo. É preciso precisão. Esse texto não parece que vai ter alguma...
Hoje eu acordei diurética. Nunca fiz tanto xixi em tão pouco tempo. Deve ser o nervosismo pelo ano que se aproxima, misturado com vinho e muita água. Estou angustiada porque só vejo uma grande interrogação quando penso em 2009. É como aquela música do Drexler, a dúvida parece sempre estar ao meu lado, e isso independe de mim: hermana duda, pasarán los discos, subirán las aguas, cambiarán las crisis, pagarán los mismos y ojalá que tu sigas mordiendo mi lengua. Pero esta noche, hermana duda, dame uma tregua.
É dia 25 de dezembro, dia em que se convencionou comemorar o nascimento de Cristo, que teria vindo a Terra para salvar a humanidade há mais de 2.000 anos...
E então? Bem, gosto de Rachimaninoff, Mozart, Chopin e Beethoven e me arrepio sempre que ouço a Nona Sinfonia. Das óperas me encantam Carmina Burana e Carmem. E daí? Sei lá...
Enfim, tenho um senso de humor que poderia me render uma conta bancária com mais zeros. Faço piada até com meu sofrimento porque dizem por aí que rir é o melhor remédio [sic], mas às vezes falo coisas engraçadinhas das quais ninguém ri. Mas não deixa de ser um humor um tanto bizarro, o meu [o que chamam de humor negro], e eu não seria tão feliz como o Adnet explorando o meu humor. Bem, sou uma pessoa de múltiplos talentos. Pelo menos gosto de acreditar nisso. O problema é que sou preguiçosa. Mas sabe que eu acho que a minha preguiça é o que me salva de uma estafa!? Quero fazer de tudo. E quem quer tudo pode se frustrar ou cansar. Por isso quero me dedicar ao zen e a meditação, em busca de paz pra minha cabeça. O que é extremamente sério, porque preciso de boas noites de sono para recuperar minhas energias, e sentir, de uma vez por todas, o que é o no mind. Pois desconfio que posso morrer por excesso. Especialmente se eu não criar. É muita idéia, muita vontade, desejo, mares e mundos. Eu crio mundos o tempo todo. Preciso da arte pra viver. Já pensei em ser atriz, arquiteta, terapeuta ocupacional, personal trainer, professora de história, arqueóloga, bióloga marinha, cineasta. Mas me formei em produção cultural, faço pesquisas históricas em cultura, canto, escrevo poesia e muitas outras coisas que vão aparecer durante o texto. Se não aparecerem é porque não são tão importantes ou porque não lembrei mesmo, porque a minha memória é estranhamente seletiva e nada criteriosa.
Bem, escrever... processo de ficar nu, como diz o Pedro. Então vamos brincar um pouquinho de tirar a roupa [embora eu tenha certeza que não vou tirar quase nada...]. Quem sou eu? A velha pergunta sem graça e sem resposta. E ainda assim a gente continua perguntando. É que nem dizer que ao final dá tudo certo. Frase retórica. E a pergunta quem sou eu? A resposta é o óbvio: eu sou eu. E não adianta eu querer ser outra pessoa...
Nasci no dia 19 de junho de 1980. No ano que entra faço 29 anos mas, quer saber, já me sinto com 30. E isso é maravilhoso; claro, depois que passou a crise ao me deparar com o fato de que não sou mais uma menina. Existe uma beleza muito forte em chegar perto dos 30. Faz um tempo eu me achava estranha ao olhar no espelho. O corpo mudou muito rápido, e mal tive tempo de perceber. Os últimos 8 anos foram de muito trabalho, novidades, perrengues, viagens, criações. Um dia eu parei em frente ao espelho e, oops, lá estava uma mulher de quase 30 anos, com mais quadril que antes. Mas ainda assim com corpo magrelinho e brações. Estranhei, pensei em quando eu teria filhos, no meu futuro barco, na crise dos 40. Ok! Eu venci!!! E pensei: uau, Vanessa, parabéns. Você consegue estar melhor aos 28 que aos 20. Eu cresci, o espelho me mostrava. As contas, os problemas, as celulites, tudo me dizia: baby, você cresceu. Resolvi até deixar o cabelo crescer depois de 15 anos com o cabelo curto. E respirei fundo. Tá bem, agora vou treinar apnéia... Pra uma futura fotógrafa submarina e capitã de um veleiro é bom mesmo que eu treine sobrevivência em condições aquáticas adversas...
Astrologicamente sou torta. O que quer dizer: minha maneira de sentir é dura, de terra [lua em virgem], minha racionalidade é sentimental [mercúrio em câncer], meus relacionamentos são aéreos e cheios de lapsos [vênus em gêmeos] e minhas emoções são de fogo [ascendente em leão], com o sol em gêmeos. Aliás, eu e Pedro encontramos outro dia um dos motivos de eu gostar tanto do mar. O mar é o meu outro. Minhas emoções são de fogo, explosivas, não são densas e fluidas como as emoções de água, o elemento que mais falta no meu mapa astral. Daí possa vir o fato de eu gostar de ficar submersa. Hoje mesmo nadei 1.000 m. Pouco, mas o suficiente para me renovar. Os momentos embaixo d´água são sempre maravilhosos. É um silêncio e um azul que acalmam e parece não haver nada mais com o que se preocupar. Mas como bem poetou Arnaldo Antunes, debaixo d´água tudo era mais bonito, mais azul, mais colorido, só faltava respirar... mas tinha que respirar. De qualquer maneira está entre minhas metas do ano treinar apnéia e mergulho autônomo, porque gosto de acreditar que nasci pra ser peixe. Tem que respirar sim, mas dá pra esperar um pouquinho. Só não dá pra ser Jacques Mayol, aí já é demais pra mim; pelo menos eu acho que não. Depois que o mergulho estiver tinindo vou em busca da minha carta náutica. Decidi que eu vou ganhar dinheiro por dois motivos: o primeiro é para mudar o mundo [e não me diga que não é possível] e o segundo é para comprar um barco e conhecer o mundo todo pelo mar. Ou simplesmente conhecer todos os mares. Mergulhar nos corais da Austrália, circular o Mar Mediterrâneo em busca das origens...
Meus antepassados, por parte da família da minha mãe, vieram da Ilha Terceira, no Arquipélago de Açores. Desconfio que descendem de mouros, que ocuparam por 8 séculos a Península Ibérica. Mas essa tese da descendência moura ainda precisa de pesquisa para se confirmar. O nariz pelo menos denuncia. E a inteligência rara também [rs]. Afinal, é certo que a Europa não seria nada sem a inteligência dos árabes. E também sem nosso ouro e nossas frutas, pois em se plantando tudo dá, Caminha escreveu fascinado ao chegar nestas terras paradisíacas, de águas claras e pessoas nuas, sem pêlos e com cor de sol. Mas isso é outra página. Voltando aos antepassados, algo me diz que deve haver uma certa conexão astral ou sei lá em que plano, que me faz também amar o mar como os portugueses. Ouço muito Madredeus, às vezes exaustivamente, aquelas músicas sobre o mar, aquela melancolia típica do português. Eu, quando uso minhas roupas pretas, fico a própria portuguesa melancólica. Essa é uma das minhas personagens. Gosto dela.
Não é pra menos que meus poetas preferidos são Pessoa e Sophia [ela conheci há pouco, por causa do cd da Betânia, mas foi um encontro e tanto]. Pessoa é Pessoa. Ninguém me convence que há um poeta mais intenso e magistral que ele. Porque ele realmente sentiu como todo mundo, foi um e um milhão. Mas isso todo mundo já sabe. A questão é que, pra escrever com sinceridade, sendo Álvaro de Campos e Caeiro, só pra citar dois, é preciso ser múltiplo de verdade, e não fingir que é. É preciso estar a n-1, como dizem os amigos Deleuze e Guattari. É preciso sentir tudo de todas as maneiras. Pessoa, a pessoa, me parece que foi a sua mais fantástica poesia. O nome é uma missão, eu sempre digo inspirada pelo amigo Léo.
Qual será a missão de uma pessoa com nome de borboleta?
Voltando ao mar, eu dizia que o mar é meu outro. A água é o que me falta, sem dúvida. A idéia de estar em um deserto chega a me apavorar. Muito embora os desertos me fascinem, e seus povos de olhos verdes e pele morena, roupas coloridas, camelos, desertos de sal. Nossa, são deslumbrantes. Mas bem, já quase surtei num dia de calor em que eu fui obrigada a ficar em casa [trabalho, vida de cão...]. Fiquei tão nervosa que esqueci meu ambientalismo e fiquei debaixo do chuveiro um tempão. Isso me lembra de um dia que fiz um café muito forte, quando estava de TPM, e fiquei tão estressada que botei meu tênis de corrida e corri loucamente até não agüentar mais e poder dizer: agora sim, estou calma... cheia de dores no joelho [porque tenho uma inflamação eterna], mas calma. É, de vez em quando eu surto. Mas nada que se compare à Maria Helena da Penélope Cruz. Um dos meus grandes desejos na vida é ter um barco. Essa é uma das poucas extravagâncias consumistas que tenho. Já falei isso... Ter quer dizer morar. Viver num barco, criar mariscos no corpo. Como os piratas. Adoro os piratas! Não gosto dos marinheiros. Estes sempre lutam com as tempestades, enquanto os piratas se esbaldam. Os marinheiros são os cientistas do mar, os piratas são os poetas. Mas eu gosto da ciência. Tem muita poesia nela também. Gosto de ler Scientific America, aquelas matérias sobre física quântica, teoria das cordas, os múltiplos universos. A ufologia me interessa também e gosto de Arquivo X. Sempre fico na dúvida se valeria a pena fazer biologia marinha ainda nessa vida [sic again]. Vivo pensando nisso, porque acho que eu adoraria. Mas é uma idéia que estou quase abandonando. Prefiro investir em uma outra relação com o mar. Acho que, para o tempo que tenho, vai valer mais a pena. Assim como o céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu, o mar do mergulhador tem mais poesia que o do cientista. Desculpem-me os cientistas, eu gosto de vocês, mas é uma coisa de devir. O devir poeta.
Bem, a Sophia. Leio os seus poemas e gostaria de tê-los escrito. Eu me vejo ali. Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim, a tua beleza aumenta quando estamos sós. E tão fundo, intimamente, a tua voz segue o mais secreto bailar dos meus sonhos, que momentos há em que eu suponho, seres um milagre criado só pra mim. Isso não é lindo? Dos poetas do mar gosto ainda do Neruda. Mais dos poemas sobre o mar que qualquer outro. Os de amor são românticos demais. Aquela coisa bem latina que já me dá mais enjôo que alegria. Cansei do romantismo, embora ainda adore Don Juan. Mas Werther não desce mais. Quando eu li eu só dizia: meu querido, quer morrer morre logo, não enrola não. Mas não, fica aquela lenga lenga toda. Igual a Fausto, cheio de moralismos. Goethe é como Freud, algo a ser vencido. Afinal, a história é uma história das lutas, já dizia Foucault.
A esse cara, aliás, vale uma menção honrosa, porque ele falava das coisas mais escabrosas com um sorriso no rosto. Depois que li Foucault fiquei com a sensação de estar em sirsásana [aquela postura de cabeça pra baixo do yoga]. Comecei a ver tudo de forma diferente e, de repente, várias questões para as quais eu não conseguia encontrar resposta se clarificaram. E comecei a me sentir uma idiota, que se dizia alternativa, quando o alternativo é uma captura, meu bem. Mas viver na captura é uma questão de escolha. Espero ter escolhido o não. Ou pelo menos o pode ser diferente. Prefiro as linhas de fuga. E me divirto lendo Deleuze e Guattari, ao invés de fazer como os intelectuais de óculos [eu também uso óculos, nada contra os óculos em si] que querem transformar Mil Platôs em um novo paradigma. Bah! Cherry, o mundo gira e é uma grande superfície de contato. Usemos os livros ao invés de engessá-los em teses!
Mas eu me divirto lendo até Dan Brown, sou uma pessoa sem critérios [rs]. Enquanto os acadêmicos de plantão ficam tentando decifrar Guimarães Rosa, eu busco sentir o Guimarães, o Código da Vinci, o Mil Platôs, a Clarice, o Kafka, o Saramago [que está quase ganhando o posto de meu escritor preferido], Alice, HQs, guia de viagem, tudo com a mesma intensidade. São mundos, gosto de fazer parte deles. Gosto de histórias de vampiros, adoro o Lestat e acho o Louis um babaca. Já li tanto Edgar Alan Poe que tive que parar porque meu mundo estava ficando sombrio demais. Existe uma Vanessa meio família Adams que é insuportável. Sou fã de Tim Burton. Tenho a coleção dos seus filmes, e o que mais gosto é um que não tenho, que vi pelo youtube: Vincent, um curta sobre um menininho mórbido e psicopata, narrado por Vincent Price, mestre do terror, aquele cara que faz o criador do Edward e narra o clipe Thriller do Michael Jackson. Tenho fascínio por palhaços, relógios, castelos, grutas com água, inscrições rupestres, cheiros, livros antigos, civilizações, América Latina, artesanato. Meu filme preferido do Fellini é 8 e ½. Obra prima! E se eu fosse fazer uma lista de filmes que eu gosto aqui seria uma loucura. Mas posso tentar. Gosto dessa brincadeira, eles também dizem um pouco de mim: 2001 [já assisti 2001 vezes e não entendi nada... adoro isso!!!], Blade Runner, Apocalipse Now, Matrix, Senhor dos Anéis, Cinema Paradiso, A Paixão de Cristo e Apocalypto [pq são falados em aramaico e maia], A Vila [já vi tudo do Shyamalan], Sangue Negro [Daniel Day Lewis liberta a alma], O Libertino [claro! quem é fã de coisas mórbidas é fã de Johnny Depp], V de Vingança, Casa de Areia [belíssimo e desconsiderado nas listas de grandes filmes nacionais], Lavoura Arcaia [a obra magistral do Luiz Fernando; e também o livro que é lindo e trágico]: acho o André um tolo, a Ana pura alegria, e o pai pode ser o que for, mas com a voz profunda do Raul Cortez é sublime; Imensidão Azul; A primeira noite de um homen; simplesmente tudo do Woody Allen; O Jardineiro Fiel; vários do Bressane e do Sganzerla, porque diverte horrores; Alien; Amadeus; O Gladiador; As bicicletas de Beleville; Hair [um dos primeiros filmes pelo qual me apaixonei]; O Paciente Inglês; Brokeback Mountain, A Viagem de Chihiro... ai chega, tem um milhão deles. Tem ainda irmãos Coen, 007, Ensaio sobre a cegueira [o Meirelles pôs o livro na tela, até o Saramago gostou e um monte de gente não entendeu, porque é cega...]. Já fiz teatro, o personagem que mais me encantou interpretar foi o Pequeno Monge, de Galileu Galilei, de Brecht. Mas conto nos dedos as peças que gostei de assistir. O cinema me emociona mais. Adoro Becket!
Gosto muito de Nietzsche. Foi quem me lançou de vez no mundo da subversão... fizemos um acordo em 2004 e desde então é só alegria! Assim falou Zaratustra é um livrão, nos dois sentidos. Um dia pretendo fazer programação de software e também ler Os Sertões, não que uma coisa tenha a ver com a outra. Assisti a adaptação do Zé Celso para o teatro, em São Paulo, e fui super interativa com a peça. Mas cansa que é uma beleza... Quero ler Euclides e aí me embrenhar naquela caatinga.
Meus personagens pop preferidos são Smith [o vírus da Matrix]; Han Solo e Indiana Jones [os momentos gloriosos de Harrison Ford... mas há quem duvide]; Darth Vader; James Bond; Saga, Shaka, Shiryu e Kikki [sim!!! eu sou fã de Cavaleiros do Zodíaco]; Galadriel [que eu aprendi a gostar depois de um tempo reticente], Gandalf, os Ents e todos os hobbits; Chico Bento e Horácio; Wolwerine, Tempestade, Fênix e Magneto; Batman; Barack Obama...ahahahhahahahaha.
Das histórias que circulam por aí gosto especialmente de Alice Através do Espelho, que é só genial; O conde de Monte Cristo; Coiote [o livro do Roberto Freire que ultrapassa a própria somaterapia e que sacode a cabeça quando se lê com 15 anos]; Os vivos e os mortos [um livro do W. Rio Apa, do Paraná, simplesmente um dos melhores livros que já li, a mais bela narrativa sobre os homens e o mar; 4 volumes que dá vontade de ler pra sempre]. Quando eu era criança tinha medo do Papai Noel e acho esse gordo horroroso, mas acreditava no Peter Pan e queria muito ser levada pra Terra do Nunca [de verdade, não é metáfora]. Até hoje adoro o crocodilo com o relógio. Nossa, eu morria de medo da Cuca, do Sítio. Hoje eu adoro as bruxas e odeio as histórias que as transformam em madrastas cruéis; e depois de descobrir coisas bizarras na histórias do Monteiro Lobato a gente passa a odiá-lo. Lembro de morar em uma casa que ficava perto de um sítio onde havia um galo que sempre cantava de madrugada e eu cismava que o galo estava no meu quarto. Eita imaginação fértil... Eu também desenhava muito, até hoje gosto, e fiz vestibular pra cinema para fazer animação. Mas não passei e desisti... Eu chamava uva de cavu.
Tenho poucos preconceitos literários. Só não gosto de perder tempo. Mas isso é o tipo de coisa que a gente só descobre depois que perde... Ainda não li Paulo Coelho. Digo ainda porque pretendo ler um dia. Se tem uma coisa que ele sabe fazer é chegar nas pessoas, além de dinheiro, claro. Mas no momento tenho que me concentrar em certas leituras digamos, mais acadêmicas [será?]. Estou lendo Clastres [A Sociedade contra o Estado] e vou mergulhar mais ainda em Foucault. Escrevo. De tudo. Mas preciso vencer a preguiça e conciliar a vontade de escrever com a vontade de estar na praia. Estou começando um romance, um outro livro de poemas, artigos sobre um monte de coisas e um livro-ensaio sobre cultura e política. Quando eu vou terminar é uma incógnita. Ainda tem o projeto do mestrado. Pelo menos esse tem prazo.
Bem, falemos de música. O que posso dizer? Que eu canto, estudo técnica vocal e canto lírico com a professora mais fantástica do mundo, uma cantora pra chamar de sua! Fazedora de milagres, porque ela acredita que todo mundo tem dentro de si a paudurecência!!!! E viva Sidney Magal! Agora sou aluna de piano. Eu e Pedro temos um projeto artístico experimental [só porque não acho uma palavra melhor para classificá-lo] que junta música e poesia, e queremos nada mais que tudo com isso... Adoro descobrir instrumentos e ouvir sons diferentes.
Gosto de metal sinfônico e alguns mais pesados, reggae [só da Jamaica e, de preferência, Bob Marley, que muito cedo me ensinou a lutar], Radiohead, Uakti, Pink Floyd, batuques e flautas do mundo inteiro, cítara, olodum, bateria de escola de samba, Beatles e Rolling Stones, Pearl Jam e Soundgarden, Hans Zimmer e Vangelis, Simon e Garfunkel, das vozes da Teresa Salgueiro, da Tarja Turunen, do Ney Matogrosso, do Freddie Mercury, do André Matos e da Bjork [além do clima todo que ela cria]. Já ouvi muito Nirvana. Faz pouco tempo fiquei embasbacada com um cabeludo de mãos grandes chamado Steve Vai, porque For the love of God é uma das músicas mais bonitas do mundo e porque o cara é visceral!
Cansei de ouvir Cazuza, mais um burguês filho da bossa velha. Mas o cara foi genial assim mesmo e outros devires mais interessantes o atravessavam. Cansei também do Lobão, embora ele seja um doce. Não canso nunca do Caetano e sempre adoro as merdas que ele fala. Acho o Gil um tesão aos 60 anos com colares tribais. Não gosto do Chico cantando nem das suas músicas com nome de mulher. Gosto do Chico de Deus lhe pague. A Elis era um grito de liberdade. Amo o vozeirão da Betânia, que canta como uma divindade, mulherão. Gosto de Los Hermanos, mas também cansa. Hoje eu só escuto algumas músicas do 4. Na história da música brasileira acho que o Clube da Esquina não tem o reconhecimento que merece. Os críticos e os jornalistas piegas insistem em só falar da Bossa Velha. Chega meu povo! Todo mundo já conhece, um monte de gente já ganhou dindin, já sabemos que João Gilberto foi o cara do violão, que Tom e Vinícius fizeram o mundo cantar. Mas a garota de Ipanema não tem mais o mesmo corpitcho... Milton e sua trupe são sem dúvida a grande linha de fuga na música nacional. Longe de rótulos, eles comeram quietos, mineiros que são, e fizeram uma revolução. E disso ninguém fala, e vão assim fazendo do Brasil um samba de uma nota só, quando somos pura dissonância. Cresci ouvindo samba enredo, e mais tarde conheci um poeta chamado Cartola e um trovador com o nome de Paulinho da Viola. No carnaval torço para a Portela por puro afeto sem explicação, desde criança. Gosto de festa, odeio multidão.
Ultimamente estou em uma neura flamenca, depois que voltei da Espanha. Olé! Coisa boa de ouvir, transforma a dor em poesia com a música e o corpo. Arrepia até os ossos.
Sinto que gosto de revoluções, tenho falado nisso o tempo todo. E vou caminhando em direção a novos sentidos para as coisas [não pasteurizados], e até para a empresa, esse novo capitalismo... Junto com Lanuzza e Pedro construo algo que começa a descortinar um futuro para se orgulhar, porque não queremos ser só mais uma empresa de produção cultural ou, ser só mais uma Empresa. Mas paro essa história por aqui porque o bolo tá no forno. É possível reconfigurar a empresa? É difícil achar um forte motivo para não acreditar que é possível. Abel [essa persona executiva, um ser moldado para ser perfeito], é muito útil. Conservemos a memória de nossos Abéis porque precisamos dela para a luta, para nos mostrar onde ficam as engrenagens, para nos dizer que a merda tá aí. E se a gente junta áquario, leão e gêmeos a gente muda a forma de governar. E faz uma tragédia nietzschiana!!!
A revolução do século XXI não virá vestida com a camisa do Che... Marx entendeu uma realidade, e nada mais que isso. Existem muitas outras. Existem muitas formas de ver o mundo. Existem sociedades sem Estado. Sobretudo, existem os nômades!!!
Sou um pouco anarquista, mas não me simpatizo muito com os ismos. Prefiro ser uma contra-efetuação permanente [gostei disso, é coisa da Heliana para o Pedro!]. Como aquela música do Caetano, o quereres... Sou chata, assumo. Gosto da idéia da livre circulação de bens culturais, gosto de Internet, sou online, tenho orkut, mas meu msn fica às moscas, porque quase não entro; me tira tempo de pesquisa, de concentração, de criação. Se quero falar com alguém prefiro ligar. Mas não gosto muito de falar no telefone. Estranho né?! E olha que trabalhando com produção se faz muito isso... Já ralei muito com esse trabalho aliás, e uma das minhas grandes experiências de vida foi um trabalho de produção, quando coordenei por quatro edições um projeto chamado Interculturalidades, que me pôs em contato com o mundo “sem sair de casa”. E foi um grande aprendizado que deixou marcas para a vida toda. Assim como o Centro de Artes UFF, que por 5 anos foi minha segunda casa. Onde fiz grandes amigos, participei das melhores festas e vivi emoções fortíssimas, das melhores e piores, uma vida nada monótona, pode acreditar. Onde se descascava alho na cozinha da Sheila, se carregava linóleo sozinha e, no mesmo dia, se fazia contato com o Bernardo Bertolucci, o Leonardo Boff, o Ariano Suassuna e o Humberto Maturana.
Acredito que nossa sociedade não sabe lidar verdadeiramente com as diferenças e por isso cria nichos, tribos e guetos. Eu não me sinto pertencente a nenhuma tribo. Me classifico como determinadas coisas por razões práticas, e a idéia de pertencer a uma classe [seja ela qual for] me enerva e é uma prisão subjetiva, daquelas que alimentam sistemas de castas na direita, na esquerda, no centro, onde for. Já me bastam as minhas prisões e autocensuras das quais, em uma luta constante, tento me libertar. Às vezes me sinto bem com certas tribos, outras vezes com outras. Com todas e com nenhuma. Prefiro deixar que as coisas me atravessem e não que me capturem. Tento aprender a dizer não e sim com sinceridade a todo instante. Embora certas coisas existam, não as aceito. O que quer dizer, ignorar suas existências como algo que faça algum sentido. Como as hierarquias. Tudo bem, elas existem, estão lá. Mas não me dizem nada além de que foram construídas historicamente e, por isso, podem ser desconstruídas a qualquer momento a partir de uma luta [no sentido foucaultiano]. O mundo não está dado! Diriam alguns que nem comido...rs.
Acho que a minha vida se dá a n-1, mesmo quando tento fugir do desespero que é não viver a unidade, mas sempre ela subtraída do múltiplo, para que ele seja cada vez mais múltiplo. E cansa, dói, mas é maravilhoso também. E não pode ser nada mais. Porque não é uma escolha minha. A única escolha possível, arrisco dizer, seria negativa [e eu demorei pra entender isso, e depois pra aceitar]: negar aquilo que não é possível escolher. Mas isso é negar a vida. E as consequências, muitas vezes, são desastrosas. Mas algo ainda me incomoda nessa afirmação, porque talvez o não conseguir negar seja precisar, necessitar, ser dependente. Nem sempre sou entendida, e tentam sempre me esquadrinhar. Mas isso todo mundo faz com todo mundo. Algumas pessoas se apegam a isso e constróem suas vidas nessas categorias já prontas e nas referências já pré-estabelecidas.
Não gosto de culpa, essa herança do cristianismo. Quando me pedem desculpas, peço que se entendam. Aceitem-se! Amem a vida! Sejamos sinceros consigo e com o outro. E isso não é trivial. Não é da sinceridade da novela da Globo que eu falo. Amor fati... Se a vida te der porrada, grite e faça um carnaval. É duro, pois tem algumas que doem muito. Porém, se não se morre, mais cedo ou mais tarde se faz um carnaval. Eu espero...
A geração Coca-Cola morre entupida de corante e cheia de gases, viciada em cafeína. Mas eu adoro café e odeio a Coca-Cola. Não bebo refrigerante, não como bicho, não como biscoito com gordura hidrogenada, não deixo que enfiem na minha goela abaixo essas porcarias. Acho que a maioria dos vegetarianos é ingênua politicamente, assim como a maioria das pessoas é cega politicamente, principalmente os que associam política à partidos. A indústria da carne é tão nojenta quanto a farmacêutica, e todo mundo finge que não, pra nenhuma das duas, ou não finge e simplesmente nem pensa nisso. Ou realmente tá cagando... Odeio cigarro, é um vício ridículo politicamente. Quimicamente não. Por isso não odeio quem fuma. Ao conhecer a Europa senti o ar da soberania e vi que os europeus se sentem ainda colonizadores. Eu não sei se moraria em Paris, Roma, Madrid ou Barcelona, acho que em Londres também não. Idolatrar a Europa é sinal de fraqueza espiritual. Mas tem coisas maravilhosas por lá... Cansei da maioria das bandas inglesas. São todas iguais. Gosto do clip do Weezer com os bichinhos. Amo a comida mediterrânea, estou ficando expert em vinhos. Eu teria uma vinícula para produzir Montepulciano ou Malbec, ou plantaria oliveiras. Não consigo mais beber muita cerveja. Gosto de absinto porque tem efeitos criativos. Cachaça é legal pra sentir o sabor do Brasil, e feijão também. Acho que o cheiro do verão é o que mais me dá a sensação de estar em casa. Cheiro do Brasil que eu vivo. As flores, a chuva. O olfato é sem dúvida meu sentido mais aguçado. Incensos fazem efeito comigo. Perfumes também. Gosto de pouquíssimos. Não gosto dos cheiros doces sintéticos, channel nº 5 é horrível. Gosto só de um perfume, na verdade. Costumo preferir cheiros naturais a industriais. Não gosto de variar perfume. Fica uma confusão de cheiro, algo assim meio fedido quando se mistura na roupa um monte de cheiro forte. É como cozinhar. Tem que ter feeling olfativo. Seja lá o que for isso.
Adoro cozinhar, principalmente para outras pessoas. Adoro ervas, temperos, alquimia, chás. Gosto do Ben Jor e sei, tanto quanto ele, que os alquimistas estão chegando. Gosto de inventar pratos, ler livros de culinária, e adoro manjericão. Escrevi um conto de liberdade e amor que se chama Gosto de Manjericão, antes mesmo de saber que esta é uma erva com propriedades que instigam os amantes, usada pelos bruxos há muitos séculos.
Uma das minhas personagens preferidas é a professora universitária. Essa eu cultivo com carinho. E adoro! Os meus alunos são tão queridos que gosto até dos mais relapsos. Adoro encontrá-los, trocar idéias, me divirto com as questões que levam para as aulas e com as apresentações de trabalho. Adoro responder os emails enormes que me mandam. Ganhei amigos, mesmo que temporários [como a maioria], converso com eles sobre a vida. Não dou prova porque isso não prova nada. Não gosto de dar nota.
Prefiro o amor à paixão, ou os dois em concordância. Não sei o que é paixão na verdade, pra poder afirmar isso. Ou sei, mas tenho ressentimentos... Já de amor eu sinto que começo a esboçar um entendimento. Porque todo mundo acha que entende dos dois, mas ninguém entende nada e fica falando um monte de besteiras. Somos tolos, fracos e dependentes [frase tosca que eu escrevi em um poema igualmente tosco]. Criamos expectativas, exigimos o braço quando ganhamos a mão, acreditamos que existe certeza e segurança. Só conheço uma pessoa que realmente vive para não ser assim, e por isso a amo. Se começamos a superar nossas fraquezas a vida vai nos presenteando. Medo faz parte do vocabulário de qualquer um, coragem é uma decisão.
Hoje me vejo mais no palco que no computador. Mas eu adoro estar no computador para escrever, e não tenho idéia de quando vou cansar disso aqui e finalizar esse vômito.
No meu trabalho considero que o item mais importante não é um laptop ou um celular, mas a garrafa de água que fica do meu lado. Celular é o instrumento por excelência da sociedade do controle. Já os computadores podem ser nossas bombas de amor e instrumentos de luta. Seja pra jogar na cabeça de alguém, para invadir os sites dos bancos ou para estimular nossas criações. Mas há muita política entre o meu computador, a computação em nuvem e a África...
Se eu pensar no mundo hoje, o que mais me preocupa é a água. Morro quando vejo que parte dos oceanos já é um lixão. E sei que preciso fazer alguma coisa nesse sentido, porque isso me inquieta muito. Li Uma história verde do mundo e nunca mais fui a mesma. Amo as florestas porque sinto as florestas. O vento, o mar, os rios, os bichos; adoro as tempestades, os tufões, a natureza gritando. Só não gosto das consequências bizarras que trazem; mas elas nos dizem que não somos soberanos. Sinto tudo com tanta intensidade que às vezes choro de alegria ou de dor quando penso nessas coisas. Tenho vontade de abraçar o mundo. Queria ser um gigante no espaço e abraçar a Terra, tão linda e azul. Sou ativista da reciclagem, inclusive da reciclagem da cabeça. Tenho plantas em casa e cuido delas com alegria. Gosto de ficar na rede e beber água de côco. Cultivo ervas para os meus temperos. Minha Shangri-lá é a Papua Nova Guiné. Fico fascinada pela quantidade de línguas que são faladas lá e pela enorme biodiversidade. Há espécies na Papua que são desconhecidas até hoje pelos cientistas, e é um dos pontos de mergulho mais incríveis do mundo. Há tribos canibais, há rituais onde as pessoas usam máscaras de argila pesadas e bizarras, mas fantásticas. Já a Amazônia é um destino certo. Adoraria passar alguns bons dias no meio dessa floresta só ouvindo os seus sons e sentindo os seus cheiros, esquecendo toda a apropriação política desse lugar tão amoral e, por isso, tão belo. Mas sei que a floresta não é assim tão romântica. Ah, a indiferença da natureza... Tenho uma revista com uma foto de uma cachoeira no meio da mata densa que chega a me deixar sem ar. Tem aquele silêncio ancestral. Como dentro das cavernas, como no alto das montanhas. Aliás, a ancestralidade me deixa sem ar. Estar em lugares antigos, que estavam aqui muito antes de mim, é algo que gosto muito. Gosto ainda de sentir o encantamento com a vida e as forças arrebatadoras. Senti isso nas igrejas medievais da Europa, na Gruta Azul da Chapada Diamantina, na Cúpula de Bruneleschi em Florença, no alto da Janela do Céu, em Ibitipoca, ao ver o sol nascer na Pedra do Sino, na praia Brava e na Ilha do Farol, no som do vento noturno de Taipus de Fora, na biblioteca histórica da Universidad de Valladolid. Adoro Da Vinci, Pollock, El Greco, Caravaggio, Miró, mangá, grafitti e stencil. Tornei-me fã de Michelângelo depois que estive na Capela Sistina e quando vi o David. As cidades ficam mais habitáveis com a arte. Odeio trânsito, mas procuro não me estressar com isso, sem perder de vista que esse é sempre um problema a ser enfrentado de alguma forma. Sempre carrego livro e mp3. Não tenho carro e não pretendo ter nem cair em tentação...rs. Já chega a quantidade deles na rua. Existem muitos taxistas simpáticos prontos para nos levar aonde for, e ônibus horríveis, mas estão aí para serem usados e reclamados. O único carro que eu teria seria uma Land Rover para viajar a lugares ermos, e não para entupir o trânsito.
Não tenho paciência para a pós-modernidade e o estado líquido é muito cansativo. Não é possível vivê-lo todo o tempo. A MTV é um pé no saco na maior parte do dia com toda aquela gente se achando cult. Gosto de usar óculos escuros enormes, pulseirões, cintos grandes, roupa de crochê, bolsas coloridas, sandálias e botas, sapato vermelho de salto agulha, vestidos e calças largas, cachecol, misturando tudo, às vezes parecendo cult [rs] mas, quase sempre, uma farofa... ou então me visto de preto e está tudo bem. Quase nunca pinto a unha, mas quando pinto é sempre de vermelho ou vinho porque, pra mim, não vale a pena ter o trabalho de pintar com esmalte claro, pois eu mesma faço a minha unha. Salto vai quando estou com espírito femme fatale. Senão não há humor que agüente. Mas fica bonito. Gosto mesmo é de passar o dia de biquíni e pés na areia. Não compro pijama, compro meias coloridas e de dedinhos e a cada roupa que compro separo uma que não uso para doar. Gosto de cuidar da casa, de mudar os móveis de lugar, de mexer nos livros da estante, trocar as fotos do mural. Só não gosto das contas. Adoro fotografia. Depois do piano, uma câmera fotográfica poderosa será o próximo gasto doloroso. Não leio jornal. Por mim eles nem precisariam existir. De alguma maneira as notícias chegam. O Willian Bonner é irritante com a sua pretensão de verdade. Sebastião Salgado faz coisas fantásticas, mas não é o único. Pierre Verger é atemporal.
Gosto de estudar história e faço isso sempre que possível, especialmente história de civilizações e religiões. Em outra vida virei ao mundo fotógrafa da National Geographic e passerei quatro horas sendo picada por mosquitos, apenas esperando pelo momento do gorila comer a plantinha para fotografá-lo. Sou doida por gorilas. Queria abraçar um. Adoro golfinhos, tartarugas, labradores, maritacas. Gosto de insetos coloridos, camaleões e lagartos, peixes-palhaço.
Acho que a maioria das pessoas não entendem os grandes líderes espirituais da história e os reduzem. Cristo, Buda, Gandhi, Luther King foram grandes, ou suas narrativas são grandes, mas sempre tem alguém para enfiá-los em uma gaiola e criar um ismo para eles. Sou uma curiosa. Já li várias coisas sobre a Rosa Cruz. Tenho um tarô egípcio, estudo, quando dá, o I Ching, a Wicca, o xamanismo. Dos livros místicos ou míticos ou que quer que seja, gosto do Tao Te Ching e dos evangelhos gnósticos [com todas as especulações sobre Maria Madalena]. É claro que li o Baghavad Gita, e passei um reveillón em uma comunidade Hare Krishna. Criei muita expectativa e descobri coisas grandes e outras pequenas também. Gaiolas...
Já pensei em surfar, o que seria o máximo. Mas prefiro estar dentro da água ou no meio do oceano. Mas agora parece que vou começar a aprender bodyboard... [essa última frase é um adendo acrescentado no dia 1 de janeiro de 2009]. Minha relação com o mar é de tanto amor que eu não rompi os laços depois da primeira correnteza bizarra que entrei, ou quando fui jogada nas pedras em Aventureiro. Guardo minhas cicatrizes com alegria. Quem não as tem não sabe o que é viver. Frase muito clichê, mas que eu gosto. E adoro cicatrizes! Tenho medo de andar em pedras íngremes, algo que estou superando rapidamente.
Sou praticante de yoga. Já fiz Hatha e hoje faço Ashtanga. Mas são yogas védicos. Depois de sete anos queria conhecer algo diferente, adoraria experimentar a Swásthya se eu tivesse dinheiro pra pagar. Acho muito caro e ainda não encontrei uma justificativa pra isso. Mas vou ler o livro do De Rose. E também, Autobiografia de um Yogue. Penso um dia em tatuar Shiva Nataraja nas costas, entre o om e a flor de lótus que já tenho. Adoro tatuagem, tenho quatro. Organizei no computador um álbum de fotos com várias que encontrei e gostei. É um recurso estético como pintar o cabelo, usar brincos, roupas ou o que seja. E uma maneira de viver a arte no próprio corpo. Vou fazer a quinta quando começar a esfriar, porque no verão é impossível. Planejo os desenhos e as partes do corpo que vão recêbe-los, pois eles se tornam parte de você. Hoje parece que já nasci com os meus desenhos, talhados na minha pele por um tatuador também para chamar de seu.
Sou a filha mais velha de três mulheres. Mas não sou chata por causa disso, nem dou lição de moral, embora às vezes eu faça discursos éticos [rs]. Quando estou muito agitada falo dormindo e minha irmã mais nova tem medo disso. Sou um pouco desastrada, bato a cabeça toda hora, nos lugares mais improváveis, e tem dias que invento palavras. Sempre me acharam esquisita na família e eu sempre achei que todos é que eram estranhos. E não tenho mais paciência pra essa discussão ridícula de quem é mais esquisito. Meus pais me apóiam mesmo quando não me apóiam, são doces e queridos. Minhas irmãs são lindas, tenho um primo DJ, uma vó baixinha, um vô cheio de energia com quase 90 anos. E primos, tios, tias, como todo mundo, ou não. Parte da família mora em Minas, parte em Petrópolis. Nasci na serra, na terra da família real, ia de gorrinho e luva para a escola, sempre tive franjinha quando era criança, morei em sete cidades e estudei em nove colégios. Gostava de brincar de escolinha e inventava fórmulas matemáticas para minha irmã decorar, coitada. Brincava ainda de ônibus, construção de castelos medievais [com aquele jogo de pecinhas de tijolinhos], show [rs] e de ir para o Pólo Norte. Já enterrei minha Barbie. Fiz grandes amigos em Belo Horizonte, porque mineiro se agrega de uma maneira muito doida, e vivi três anos intensos por lá, cheio de descobertas que deixaram marcas. No Rio a minha vida mudou radicalmente, conheci um menino que tocava violão e escrevia poesia...
Gosto de passar o tempo falando besteiras, inventando personagens, criando mundos e músicas ridículas. Junto com a Mari Pietrobon [companheira de maravilhosos delírios exóticos] criei até uma Igreja. Com o Pedro é fertilidade o tempo inteiro, criação de músicas, jogos, bandas, textos, personagens hilários, tudo e mais um pouco. Viajava nas idéias com o Bruno Nunes e a gente falava de slow food e da teia da vida. Com a Juju é uma viagem conviver porque ela é uma figura engraçada, que faz sinal para o ônibus com todos os dedos. Com o Léo é muita viagem ontológica. Com a Bina é muita viagem surreal. Com a Mari Petersen é viagem cósmica, espiritual. Com a Cris é mais pé no chão, viagem por terra. E a Renatinha só viajou e se encontrou, e a gente deu a maior força. Com a Carol Ramos eu quase não encontro, mas quando a gente se encontra é muita viagem sobre a vida. Eu também adoro viajar! Viajo muito com o Pedro, é o melhor companheiro pra isso. Já conhecemos lugares lindíssimos e os planos são muitos ainda, de trem, de ônibus, de carro, de barco, de lápis e papel na mão, com um violão. Já viajei muito com a Lanuzza também, e a gente sempre se mete em furadas que depois dão muitas gargalhadas, por Brasília, Curitiba, BH, Europa... muita história pra contar. É uma viagem insólita a vida. Espero os amigos que virão para mais viagens... Viajo todo dia. Às vezes com alunos, com a família, com o cachorro, com a planta e com as pessoas que sempre conversam comigo no ônibus, na barca, no hospital, na rua, na chuva, na fazenda...
A desobediência civil se torna mais interessante quando é uma desobediência moral.
Adoro artistas porque, teoricamente, carregam uma visão de mundo muito singular. Mas é difícil conviver com eles, essas pessoas muito singulares. É preciso muito amor. Gosto de músicos e bailarinos, mas é impossível encontrar os dois talentos em um homem só [rs]. As mulheres que mais admiro são as mais fortes. Já gostei da Madonna quando ela ainda fazia sentido, e quando me dei conta de que ela não é mais que uma eterna adolescente tola, cansei, e a acho uma chata de galocha hoje em dia. Porque polêmica não é dedicar like a virgem para o papa, e sim, o mundo saber que a maioria da população africana está morrendo com a Aids e continuar matando aquelas pessoas. Isso é que é polêmica. Mas ainda assim danço suas músicas em festas. São divertidas. Como as do Michael Jackson em tempos de negritude! Muito bom! Acho o casal Angelina Jolie e Brad Pitt lindíssimo mesmo quando estão feios e enrrugados. Já cansei também do Bono Vox e seu humanitarismo pop. O Sting é como vinho, quanto mais velho melhor. A minha lista de homens belos é tão comum quanto esquisita, onde figuram internacionais como Johnny Depp, David Beckham, Takeshi Kaneshiro [um chinês figurinha], Daniel Day Lewis, David Bowie [não falei!?], Adrian Brody [alguém acha tb ou só eu?], um monte de brasileiros, porque são os mais bonitos, a seleção italiana, o Zidane, porque tem porte, e um ilustre desconhecido chamado Ivan Alcalá; e chega porque a lista vai longe. Já as mulheres só vou citar uma porque é deusa: Monica Bellucci. Mas tem várias outras bonitas também, inclusive eu ;). Frase pra refletir: "pessoas bonitas contam com certa imunidade que quase as dispensa de terem uma moral" [Thomas Mann].
Gosto de crianças e as trato como seres inteligentes e de muita sensibilidade, sem falar com elas como uma idiota ou fazer piadinha ridícula. Conservo a minha criança em movimento [?]. Adoro brincar de adedanha, jogar war, perfil, scotland yard, sueca, jogos de luta, need for speed e sim city. O mundo dos RPGs me atrai há algum tempo, desde que o Pedro me apresentou, embora eu nunca tenha jogado. Só aqueles livrinhos-jogos. Mas para tudo há uma primeira vez. Só não gosto de esportes competitivos. Pratico apenas esportes solitários. Mas isso é um problema meu. Ou não é problema nenhum. Mas gosto de futebol. Sou ótima torcedora, palpiteira e comentarista. Adoro Copa do Mundo. Marco os resultados dos jogos na tabelinha. Sou tricolor e Real Madrid [desde que me decepcionei com o Barcelona].
Sinto que só há duas maneiras interessantes de viver: levar uma vida simples ou uma vida de realizações grandiosas. Na primeira opção eu viveria da terra e colocaria toda a minha vida ao arar esta terra. Na segunda eu quereria mudar o mundo. Não sei se é possível escolher. Mas caminho mais no segundo sentido. O que não dá é viver no meio termo. Pelo menos não para mim. O Pedro diz que tenho uma força que ainda desconheço, que sou sábia e hipnotizo as pessoas. Eu vejo isso em algumas situações hoje em dia. Mas existe uma Vanessa pequena, medíocre, odiável. Porém, o meu leão parece estar gritando. E quero que o mundo escute a sua voz. Não planejo isso, simplesmente acontece. Não me gabo de nada. Sou apenas mais uma pessoa, com dores e alegrias. Mas acho que não sou medrosa [embora tenha medos], e isso muita gente é. Porque há muito de mim ainda por vir. Há vidas ainda a serem talhadas em uma só vida. Há um grito muito alto querendo ecoar. E há muito amor, apesar de às vezes não parecer. E há uma vida que eu amo muito, e pessoas que amo, um mundo que amo, e uma pessoa especialmente bela com quem construir coisas belas!
E 2009 é o ano do show do Radiohead no Brasil!!!
Eu não faço tipo, eu sou isso aí mesmo, mas isso é só 0,0000001%, porque nem eu sei muita coisa, e nenhum psicólogo saberia porque eles não sabem de nada. Ninguém sabe. Todo mundo pensa que é um doutor, padre ou policial que está contribuindo com a sua parte para o nosso belo quadro social. Né Raul!? E chega dessa narrativa estúpida. Todas as cartas de amor são ridículas, especialmente as de amor próprio. Pode ser que amanhã eu escreva uma narrativa completamente diferente, e que eu mude de idéia sobre o que aqui escrevi. Acho que ficou sim um texto para o blog. Não tem nada demais. Só um monte de divagações sem graça com um teor político-crítico-artístico com o qual ninguém tem nada a ver...
23.6.09
Show Efêmera
Olá povo e pova!
Dia 5 de julho, finalmente, estréia a nova banda minha, do Pedro, do David e do Bruno: Efêmera.
Será no Espaço Multifoco, na Rua Mem de Sá, 126, Lapa, as 19h do dia 5 de julho de 2009. Um domingão, horário tranquilo e de graça! Não tem desculpa...rs
No repertório músicas próprias, Radiohead, Drexler, Chico, Moska, Police, Beatles, Paulinho da Viola, Clube da Esquina, Smiths, Cure e surpresinhas!!!!
Na ocasião o Pedro vai relançar seu livro corpoesia, imperdível pra quem gosta de uma poesia incisiva...
O meu livro, Novelo, estará lá a venda tb pra quem quiser.
Aguardamos os amigos e inimigos, amamos todos vc!!! ;)
Em breve: site, fotos e demos pra curtir!!!
Dia 5 de julho, finalmente, estréia a nova banda minha, do Pedro, do David e do Bruno: Efêmera.
Será no Espaço Multifoco, na Rua Mem de Sá, 126, Lapa, as 19h do dia 5 de julho de 2009. Um domingão, horário tranquilo e de graça! Não tem desculpa...rs
No repertório músicas próprias, Radiohead, Drexler, Chico, Moska, Police, Beatles, Paulinho da Viola, Clube da Esquina, Smiths, Cure e surpresinhas!!!!
Na ocasião o Pedro vai relançar seu livro corpoesia, imperdível pra quem gosta de uma poesia incisiva...
O meu livro, Novelo, estará lá a venda tb pra quem quiser.
Aguardamos os amigos e inimigos, amamos todos vc!!! ;)
Em breve: site, fotos e demos pra curtir!!!
26.5.09
dorme com esse barulho
domingo, 24 de maio de 2009. festa de aniversário em um saveiro, navegando pelo rio de janeiro, um novo olhar para a cidade e suas montanhas. sol escancarando, o beijo de um velho e sempre novo amor, mar aconchegante como uma placenta, direito até a caída kamikaze na baía de guanabara. um silêncio ao ver a orla distante, quase era possível pegar o aterro... quanto as músicas que não puderam ser tocadas eis que ouvimos: "o aleatório sempre vence"! mas o que importa... juba celebra o sonho realizado e nós curtimos todos os deliciosos aleatórios daquele dia. vence sempre o aleatório?
8.11.08
beleza pura
Todos os dias se trabalha
Todos os dias se bebe a cervejinha
Pra esquecer que, todos os dias, não se vive
E as golas das camisas vão assim denunciando o teatro
Muito alinhadas, combinam com as olheiras,
Muito bem delineadas
Porque fracasso é algo que não se pode assumir
É preciso muita maquiagem
As pastas, de tão cheias, quase falam dos fardos que transportam
E as bolsas nos parecem organismos envenenados
Carregando todo tipo de pílulas e aparelhos da felicidade
Enquanto isso a inflação é notícia, a crise se alastra,
As mulheres escovam os cabelos
Mas que mal há nisso? Afinal, somos seres sociáveis,
Precisamos nos preocupar com nossa imagem
E a crise é apenas contingencial
Os cintos vão bem...
Apertando os ventres cultivados com uma indiferença fascinante
Os saltos, esses sim, sabem com é viver
Sustentando essas verdades de bonecas barbies
E, assim, apodrece vida todo dia no estômago do sedentário
Aquele pra quem tanto faz como tanto fez
Conhece?
Vidas que ele não quer saber que mata
Porque, afinal, o que é o outro senão uma ficção!?
Onde vive a beleza então?
Não é na sua camisa Lacoste, arrisco afirmar
Também não é no perfume
Que encobre o cheiro que você não quer sentir
Nem no cabelo escovado,
Na perna falsamente feliz sobre uma agulha
Nos livros do especialista Cury?
No segredo das 100 pessoas mais feliz do mundo?
No desenvolvimento sustentável?
Ok, olhe para o lado:
Vê aquele menino que dorme no chão da calçada?
Vê a garrafa pet boiando na baía habitada?
Vê no espelho uma imagem desfocada, incerta?
Um rosto desconhecido?
Prazer, a beleza é uma peça rara.
Procura-se um colecionador!
Todos os dias se bebe a cervejinha
Pra esquecer que, todos os dias, não se vive
E as golas das camisas vão assim denunciando o teatro
Muito alinhadas, combinam com as olheiras,
Muito bem delineadas
Porque fracasso é algo que não se pode assumir
É preciso muita maquiagem
As pastas, de tão cheias, quase falam dos fardos que transportam
E as bolsas nos parecem organismos envenenados
Carregando todo tipo de pílulas e aparelhos da felicidade
Enquanto isso a inflação é notícia, a crise se alastra,
As mulheres escovam os cabelos
Mas que mal há nisso? Afinal, somos seres sociáveis,
Precisamos nos preocupar com nossa imagem
E a crise é apenas contingencial
Os cintos vão bem...
Apertando os ventres cultivados com uma indiferença fascinante
Os saltos, esses sim, sabem com é viver
Sustentando essas verdades de bonecas barbies
E, assim, apodrece vida todo dia no estômago do sedentário
Aquele pra quem tanto faz como tanto fez
Conhece?
Vidas que ele não quer saber que mata
Porque, afinal, o que é o outro senão uma ficção!?
Onde vive a beleza então?
Não é na sua camisa Lacoste, arrisco afirmar
Também não é no perfume
Que encobre o cheiro que você não quer sentir
Nem no cabelo escovado,
Na perna falsamente feliz sobre uma agulha
Nos livros do especialista Cury?
No segredo das 100 pessoas mais feliz do mundo?
No desenvolvimento sustentável?
Ok, olhe para o lado:
Vê aquele menino que dorme no chão da calçada?
Vê a garrafa pet boiando na baía habitada?
Vê no espelho uma imagem desfocada, incerta?
Um rosto desconhecido?
Prazer, a beleza é uma peça rara.
Procura-se um colecionador!
27.9.08
navegam sempre em cada corpo
um barco que se resigna e outro que reluz e solta as velas no vento
tenho navegado em busca desses ventos... onde estão?
mareando a cada dia, entre o nascer e o pôr do sol
é por isso que quando a vida se apequena eu corro para o mar
porque tem um mar dentro de cada um de nós
e fico estirada na pedra por instantes em que só há o agora
e tudo ganha um novo colorido e toma novos rumos
é também por isso que não me canso de reverenciar essa força nebulosa
o mar é mais que a água que desforma o planeta e encanta marinheiros
é onde tudo deságua e de onde tudo vem
porque tudo um dia chega no mar
e se não chega, é ele quem vai de encontro
o mar não é tão somente a morada de seres reluzentes
e de uma alucinante profusão de cores
e, mais abaixo, do silêncio ancestral
é também uma condição
ser mar é ser uma força que não se resigna
sabendo o momento de causar tempestades e se acalmar
é terra, e entra nela por todos os lados
a fecunda e a transforma em verde
é a mãe de todos os rios e a grande solidão do poeta
não tem início nem fim
abaixo de tudo há o seu reinado
é a condição única possível para que a vida aflore
agachada na pedra me deixo receber a maresia
e ouvir a voz dessa saudade por onde tantas vidas se perderam e se encontraram
e ainda hão de passar, e nascer, pois tudo nasceu no mar
consigo sentir aquele primeiro pulso e a reação da água
gargalhar de alegria, e chorar
e eu a dormir na pedra só para sentir por mais tempo
“essa imensidão imensa do mar imenso”
o mar não tem fim porque a vida também não
a vida que mexe, vai, vem, se cala e, de repente, estoura
sempre de repente, as surpresas das tempestades...
essa vida sem fim permanece pra sempre como gota desse mar infinito
assim como poeira do universo que também está no mar
elo da terra com o céu
eu, em toda a minha finitude, não posso mais vê-lo
pois sufoca essa indiferença toda do mar
assim, quando cesso de com ele conversar
todo o universo abre-se para mim como quando
abriu-se naquele dia em que o primeiro suspiro se fez sobre estas terras
tão iluminadas de se deitar no mar
e então me torno grande, mesmo diante de todas as montanhas
o mar me diz para atravessá-las e unir-se a elas
como onda arremessada na rocha
é assim que parto para mais um dia,
do qual o fim é sempre um recomeço e uma luta
e de longe eu canto as saudades do passado e do futuro...
todos os dias
um barco que se resigna e outro que reluz e solta as velas no vento
tenho navegado em busca desses ventos... onde estão?
mareando a cada dia, entre o nascer e o pôr do sol
é por isso que quando a vida se apequena eu corro para o mar
porque tem um mar dentro de cada um de nós
e fico estirada na pedra por instantes em que só há o agora
e tudo ganha um novo colorido e toma novos rumos
é também por isso que não me canso de reverenciar essa força nebulosa
o mar é mais que a água que desforma o planeta e encanta marinheiros
é onde tudo deságua e de onde tudo vem
porque tudo um dia chega no mar
e se não chega, é ele quem vai de encontro
o mar não é tão somente a morada de seres reluzentes
e de uma alucinante profusão de cores
e, mais abaixo, do silêncio ancestral
é também uma condição
ser mar é ser uma força que não se resigna
sabendo o momento de causar tempestades e se acalmar
é terra, e entra nela por todos os lados
a fecunda e a transforma em verde
é a mãe de todos os rios e a grande solidão do poeta
não tem início nem fim
abaixo de tudo há o seu reinado
é a condição única possível para que a vida aflore
agachada na pedra me deixo receber a maresia
e ouvir a voz dessa saudade por onde tantas vidas se perderam e se encontraram
e ainda hão de passar, e nascer, pois tudo nasceu no mar
consigo sentir aquele primeiro pulso e a reação da água
gargalhar de alegria, e chorar
e eu a dormir na pedra só para sentir por mais tempo
“essa imensidão imensa do mar imenso”
o mar não tem fim porque a vida também não
a vida que mexe, vai, vem, se cala e, de repente, estoura
sempre de repente, as surpresas das tempestades...
essa vida sem fim permanece pra sempre como gota desse mar infinito
assim como poeira do universo que também está no mar
elo da terra com o céu
eu, em toda a minha finitude, não posso mais vê-lo
pois sufoca essa indiferença toda do mar
assim, quando cesso de com ele conversar
todo o universo abre-se para mim como quando
abriu-se naquele dia em que o primeiro suspiro se fez sobre estas terras
tão iluminadas de se deitar no mar
e então me torno grande, mesmo diante de todas as montanhas
o mar me diz para atravessá-las e unir-se a elas
como onda arremessada na rocha
é assim que parto para mais um dia,
do qual o fim é sempre um recomeço e uma luta
e de longe eu canto as saudades do passado e do futuro...
todos os dias
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